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Neuroarquitetura: a neurociência aplicada à arquitetura

Por fevereiro 9, 2022No Comments

Nosso cérebro recebe estímulos a todo momento: as cores que passam em frente aos nossos olhos, os sons que inquietam o ambiente, o aroma das flores, as texturas das coisas que tocamos. Apesar de sermos diferentes, nosso sistema nervoso apresenta a mesma função e está relacionada com a captação, interpretação e resposta a estímulos. O resultado reflete nos nossos comportamentos, nas nossas emoções e nas nossas reações diante de tudo.

Não é à toa que existam lugares com cores específicas: sempre nos deparamos com tons claros e cores neutras nos corredores dos hospitais. Um estudo na Alemanha investigou a influência das cores no tratamento de pessoas doentes, especialmente nas unidades de terapia intensiva. Depois de redesenhar as instalações, pintar as paredes do hospital e mudar a iluminação do local, eles constataram uma sensação maior de bem-estar entre os pacientes e a diminuição do consumo de medicamentos.

Tudo isso tem uma explicação, apesar de complexa. A neurociência se debruça sobre nosso sistema nervoso, centrada principalmente sobre nosso cérebro, a fim de desmistificar o órgão responsável pelas nossas tomadas de decisões e nossas condutas. Mas, sobretudo, a neurociência estuda como cada traço da nossa convivência com o mundo define – mesmo que inconscientemente – nossas atitudes.

A neurociência aplicada à arquitetura, ou neuroarquitetura, propõe que os espaços sejam adaptados às necessidades de cada usuário, considerando a importância das sensações para a vida das pessoas. A  inserção de materiais naturais como a pedra, a madeira e a vegetação nos projetos arquitetônicos, no traçado da biofilia – ou amor pela vida, é um dos caminhos para que a sensação de acolhimento, conforto e bem-estar impacte quem o desfrute.

Muitos escritórios corporativos, por exemplo, estão passando por um processo de readequação, humanizando cada vez mais os seus ambientes: salas de jogos, áreas de descompressão e descanso, espaços disruptivos, entre outras estratégias para estimular a criatividade, a motivação e, consequentemente, o rendimento de seus colaboradores.

No varejo não é diferente. Os perfumes marcantes das lojas, as cores aconchegantes, a iluminação certeira. Tudo é pensado para que os consumidores possam se sentir pertencentes, e, assim, entenderem que aquele é, sim, um lugar que eles podem e devem consumir. O estilo adotado em cada loja passa por uma série de estudos para que cada escolha do projeto esteja de acordo e alinhada em busca de resultados positivos tanto de consumidores como de seus funcionários, sucedendo no êxito mútuo.

É urgente pensar em ambientes que criem laços convidativos e que permitam a permanência satisfatória e agradável das pessoas. Não só pela lucratividade, mas também para que esses laços e as experiências se tornem cada vez mais memoráveis.

 

Arlene Lubianca
Founder & CEO da Lubianca Arquitetos

Arquiteta e MBA em Neurobusiness pela Infinity Neurobusiness

Crédito foto: Carlos Macedo | Divulgação

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