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Fotógrafa exercita o olhar para os espaços públicos e revela novas percepções da vida na cidade

Por abril 21, 2021No Comments

Florianópolis é o cenário das principais produções artísticas da fotógrafa e designer Gabriela Delcin Pires. Pelas ruas da capital catarinense, ela ajusta o foco da câmera para enxergar além do que a maioria das pessoas percebe e para registrar a essência e enaltecer a beleza de cenas consideradas corriqueiras para muitos que vivem na cidade. A  fauna, a flora, a atividade pesqueira e os contrastes da vida urbana na Ilha de Santa Catarina renderam imagens singulares que ganharam prêmios e o reconhecimento de publicações internacionais.

Ela conta que os ensaios e fotografias sobre a cidade têm a influência do arquiteto e urbanista dinamarquês Jan Gehl, defensor de que as pessoas sejam convidadas a utilizar os espaços públicos, e do designer alemão Klaus Krippendorff, que ressalta a importância do “significado” na vida das pessoas. “As fotografias servem como um convite para que todos venham e utilizem esses espaços, e também uma forma de trazer através da fotografia o que Florianópolis e os espaços públicos significam para mim”, afirma Gabriela, nascida em Santo André (SP), mas moradora de Santa Catarina desde a infância. 

O exercício de fotografar a cidade, segundo ela, começou em 2019, como prática de estudos por conta do mestrado em Design pelo Programa de Pós-Graduação em Design da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). O tema da sua dissertação foi “Abordagem da macroergonomia no espaço urbano: Fatores que influenciam na percepção de qualidade”.  “Em um percurso que vai da UDESC até o final da Avenida Beira-mar (no bairro Itacorubi), é surpreendente a flora e a fauna da cidade vivendo em harmonia com urbano. Alguns animais, como uma família de mais de 20 jacarés, pica-pau de papo amarelo, martin pescador, garça moura já fazem parte da lista que fotografei em minhas caminhadas. É um exercício que eu recomendaria para todos; ao sair para fotografar, mudamos nosso olhar sobre o mundo”, destaca. 

Em uma dessas caminhadas pelo bairro Itacorubi, Gabriela registrou um pescador em ação em plena Avenida Madre Benvenuta. Batizada de “Ponte entre dois mundos”, a fotografia conquistou a primeira colocação no concurso de fotografia e croquis do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Santa Catarina (CAU-SC). “A foto em questão traz a mistura das diferentes histórias que a cidade conta”, sintetiza Gabriela.  A imagem também ganhou destaque no perfil da National Geographic Brasil no Instagram. 

 

“Ponte entre dois mundos”

Em outra “expedição” pela cidade, desta vez pelas praias do Sul da Ilha, a fotógrafa fez um registro que veio a ganhar destaque na exposição virtual sob o tema “Abrigo” realizada pela BBC News. “Naquele dia, saí para fotografar na praia do Pântano do Sul. Era era um dia frio e cinza do mês de julho e voltei meu olhar para as coisas que estavam deslocadas. Então fiz algumas fotos de conchas numa árvore, de um cavalo marinho fora do mar, já sem vida. E esse crustáceo chamou minha atenção. E ele trazia o oposto do que estava fotografando, pois, levava seu lar onde fosse e assim nunca estaria deslocado”, revela Gabriela.

 

 

Arte no isolamento

As produções são publicadas no site Elas.me, criado por Gabriela em 2017 para exposição do seu portfólio de trabalhos em fotografia, arte e design. Dentre os ensaios estão produções artísticas desenvolvidas durante o período de isolamento social em virtude da pandemia de coronavírus.  “Em 2020, a fotografia, em sua forma mais artística, começou a ganhar mais importância para mim, sendo uma das maneiras que encontrei para lidar com a pandemia e o isolamento social. O ano acabou sendo importante profissionalmente, pois foi quando obtive um maior número de reconhecimentos”, avalia.  

Em relação ao reconhecimento, o trabalho de Gabriela foi selecionado pelo Quarentena projetada, uma iniciativa do Instituto Moreira Salles com a Mídia Ninja que selecionou algumas obras para serem projetadas em 10 cidades brasileiras. Ela foi artista do dia do NY Art Competition e uma das vencedoras do concurso cultural do Festival Internacional de Fotojornalismo de Brasília, no qual teve a oportunidade de participar de uma mesa de debates na programação do festival, teve algumas fotos aceitas pelo PhotoVogue da Itália e foi também artista selecionada no Artistas Latinas.

Um dos destaques deste período é o ensaio Lote Covid-19, obra desenvolvida por Gabriela como expressão artística da sua crítica e também preocupação em relação à gravidade do problema. “Quando a vida é tratada como mercadoria, os nomes se transformam em números, os motivos se perdem, e a vida vira dados, vira estatística”, argumenta a artista sobre o conceito da obra. O ensaio Lote Covid, impulsionado pelo Covid Art Museum ganhou repercussão na imprensa do Brasil e de outros países.

 

 

“A arte é a maneira que encontrei para lidar com aquilo que vai além do eu”.

Gabriela Delcin Pires

 

 

 

 

 

Fotos: Gabriela Delcin Pires | Divulgação

 

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