Na rotina acelerada da vida contemporânea, a casa fortalece o seu papel de refúgio. A pausa ganha status de recompensa quando o ambiente nos prende pelo conforto que oferece. Conforto físico e também emocional, quando associado a arte, música, aromas, gastronomia. A proposta apresentada pelos arquitetos Maicom Jacobus e Maicon Buzzi na CASACOR SC Balneário Camboriú 2026 reuniu atributos como esses, oferecendo uma experiência sensorial que convidou à permanência e conquistou o público.
O ambiente L(ar) foi o vencedor do Prêmio CASACOR SC UNIVALI desta edição da mostra. “Isso resume o sucesso daquilo que a gente realmente quis mostrar”, comemora Maicon Buzzi. Uma “casa com cara de casa” foi o que buscaram retratar, não apenas no projeto arquitetônico da composição efêmera, mas nos elementos e sensações que compõem o que se chama de lar. Proporcionar a sensação de acolhimento era a meta. “Queríamos criar um ambiente que não impusesse caminhos, mas que convidasse as pessoas a viverem o espaço no próprio ritmo”, explicam os arquitetos.
Percurso orgânico
Logo no acesso ao ambiente, o visitante é conduzido por um percurso orgânico que torna a circulação intuitiva e natural. A criação de uma parede curva configurou um hall de acesso, conduzindo o visitante ao estar com lareira.
A sala de estar assume protagonismo absoluto dentro da composição. É nela que o conceito do ambiente se revela com mais intensidade. O grande sofá orgânico ocupa o espaço como um convite ao acolhimento. Atrás dele, um jardim integrado aproxima arquitetura e natureza, reforçando a atmosfera de respiro dentro do living.
A lareira fortalece a sensação de permanência. Ao redor dela, peças cuidadosamente curadas ajudam a construir uma estética afetiva e sofisticada. A estante iluminada abriga objetos pessoais e obras de arte, enquanto uma poltrona posicionada estrategicamente cria um lounge mais introspectivo, pensado para leitura, contemplação e pausa.
Materiais e composições
A madeira tem presença marcante. Aplicada tanto no piso quanto na marcenaria, para transmitir calor, sofisticação e atemporalidade. A paginação do piso reforça o movimento do percurso e amplia a sensação de profundidade do ambiente.
As pedras naturais surgem como contraponto escultórico e contemporâneo. O Mármore Avalanche aparece em diferentes pontos do projeto, especialmente na lareira e no fundo do louceiro, desenhado pelos arquitetos. Destaque para a cristaleira horizontal em balanço igualmente projetada pela dupla. Executada em Quartzito Victória, a peça se configurou um dos elementos técnicos mais desafiadores do ambiente. Ela exigiu um trabalho estrutural minucioso desenvolvido em parceria com engenharia especializada. “A peça foi desenhada para sustentar pedra natural e vidro mantendo leveza visual e delicadeza estética, quase como se flutuasse dentro do espaço”, explicam. Na parede oposta, o móvel projetado para receber o espaço do café e a adega, valorizada pelo efeito provocado pela lona tensionada, que cria profundidade visual e um efeito luminoso suave que transforma a percepção do espaço.
Cor e arte
A paleta cromática segue a lógica sensorial. Tons de bege, bordô, preto e amarelo aparecem de forma elegante e equilibrada. O amarelo, escolhido como ponto de destaque do projeto, traz calor, personalidade e vitalidade à composição sem perder a sofisticação atemporal que guia todo o ambiente. “Acertamos no conceito na hora de trazer cores para alguns móveis, porque isso ajuda a trazer personalidade para o espaço. Muitas pessoas têm medo de trabalhar com cores, e a gente quis mostrar que ela pode estar aplicada em algum móvel e dá muito certo, e traz muita identidade para o ambiente”, reforça Maicon Buzzi.
No mobiliário, escolheram peças assinadas por nomes relevantes do design brasileiro, como Ronald Sasson, Victor Leite, Estúdio LL2 e Waldir Junior. Obras de arte selecionadas pelas galerias Simões, Cosmus e Zezo reforçam a atmosfera autoral do espaço e ampliam o diálogo entre arquitetura, arte e emoção. São obras de artistas que transitam por diferentes linguagens e gerações, entre eles Caterina Renaux Hering, Iolanda Mazzotti, Rodrigo Zampol, Rodrigo Bivar e Luiz Henrique Schwanke. Para eles, a arte reforça a essência do espaço: um lugar que toca a alma.
Fotos: Lio Simas | Divulgação





