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Santa Catarina perde o multiartista Rodrigo de Haro

Por julho 3, 2021No Comments

Santa Catarina perdeu, esta semana, um de seus grandes mestres nas artes plásticas. Rodrigo de Haro faleceu na última quinta-feira (01.07), em Florianópolis, onde morava, aos 82 anos, em decorrência de problemas cardíacos e renais. Rodrigo era pintor, desenhista, muralista, escritor, poeta, um intelectual, membro da Academia Catarinense de Letras.

Como mosaicista, destacou-se com a imponente obra “Muro da Memória”, mural criado especialmente para as paredes externas da Reitoria da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em parceria com Idésio Leal, parceiro de Rodrigo de Haro na arte muralista havia 40 anos. Após extensa pesquisa, a dupla criou o painel, com 440 metros quadrados de área, contando a história das Américas, misturando desenhos e trechos de poemas, totalmente coberto por cacos de azulejos coloridos. Construído entre os anos 1997 e 2000, o painel está sendo restaurado. “Minha obra mais expressiva em termos de mosaico, fiz sempre com a colaboração e auxílio do meu querido compadre Idésio Leal. As imagens desse mosaico circularam pelo mundo, como símbolo da universidade”, disse o artista, em entrevista ao cineasta Zeca Pires, no especial “A Cor da Nossa Tela”, da TV UFSC. Clique aqui para assistir.


Foto: acervo UFSC

 

Os painéis de Rodrigo de Haro fazem parte também do cenário da cidade, como as produções “Santa Catarina de Alexandria”, exposta na Praça Tancredo Neves (ou Praça dos Três Poderes), no centro de Florianópolis, criada em homenagem à padroeira do Estado de Santa Catarina. Outra obra que merece atenção é o mural criado para a fachada do prédio do Clube 12 de Agosto, na avenida Hercílio Luz, também no Centro, batizado de “A Festa”, com 3,8 metros X 17 metros.


Fotos: acervo revista ÁREA

 

E o painel “Rancho de Amor à Ilha”, criado na fachada do prédio da Caixa Federal junto à Praça XV de Novembro, também no centro da cidade, que traz a letra do hino de Florianópolis, composição de Cláudio Alvim Barbosa, o Zininho. O local é parada obrigatória de guias turísticos para apresentar – e cantar – o hino, como sempre faz o “guia manezinho” Rodrigo Stüpp nos seus Free Walking Tours pela região central. Clique aqui para assistir.

 

Foto: Divulgação Guia Manezinho

 

Em Palhoça, na Grande Florianópolis, está uma impressionante galeria a céu aberto com obras do artista, com visitação pública. Trata-se da série Tarot Pedra Branca, com 22 totens que estampam murais em mosaicos em estilo veneziano sobre bases de concreto. Eles materializam a coleção de desenhos produzidos por Rodrigo entre os anos de 1986 e 2016, em papel cartão, sobre os arcanos maiores do Tarot: O Mago, A Papisa, A Imperatriz, O Imperador, O Papa, Os Amorosos, O Carro, A Justiça, O Eremita, A Roda da Fortuna, A Força, O Enforcado, A Ceifadora, A Temperança, O Diabo, A Torre, A Estrela, A Lua, O Sol, O Juízo, O Mundo, O Louco. E também expõem os poemas escritos por ele para cada carta divinatória.

As obras foram executadas pelo artista Idésio Leal especialmente para exposição no Lugar das Artes, galeria da Cidade Pedra Branca, localizada no Passeio Pedra Branca, inaugurada em dezembro de 2017. A iniciativa materializou obras apresentadas por Rodrigo na exposição Dos Arquétipos – O Poder das Imagens, idealizada e realizada pela galerista Helena Fretta em 2016. Em 2018, os totens foram transferidos para a área externa do Passeio Pedra Branca, dispostos sobre as calçadas das ruas do entorno da praça do bairro.

Fotos: acervo revista ÁREA

 

Influências e referências

Rodrigo de Haro era filho de outro mestre das artes catarinenses, Martinho de Haro. Nasceu em Paris, no dia 6 de maio de 1939, onde a família estava morando por conta da bolsa de estudos na Académie de La Grande Chaumière que Martinho de Haro havia conquistado no Salão Nacional de Belas Artes de 1937. Como o início da Segunda Guerra Mundial, contudo, a família voltou ao Brasil, em setembro de 1939.

A influência do pai e a vivência no universo das artes desde a infância foram determinantes. Aos 19 anos, Rodrigo realizou a sua primeira exposição individual na Faculdade de Direito de Florianópolis, em 1958, e desde 1960 atuava como organizador das poesias do movimento surrealista. Teve seus poemas publicados em livros no Brasil e em antologias na Espanha e Estados Unidos.

Rodrigo de Haro era formado em Arquitetura e Urbanismo pela UFSC, doutor pela Universidad del País Vasco (Espanha) e pós-doutor em Arte Pública pela Universidade Federal Fluminense (UFF-RJ).

 

 

Acesse também:

A Cor da Nossa Tela :: Rodrigo de Haro Mural UFSC – TV UFSC

A Cor da Nossa Tela :: Rodrigo de Haro – TV UFSC

Pelas Ruas da Minha Cidade entrevista Rodrigo de Haro (parte 1) – por Claudia Barbosa.

Pelas Ruas da Minha Cidade entrevista Rodrigo de Haro (parte 2) – por Claudia Barbosa.

“Do que tu tens saudade?” (Rodrigo de Haro) – por Claudia Barbosa.

Entrelinhas – Rodrigo de Haro – TV Cultura

Exposição Rodrigo de Haro (1974) – Reportagem da Agência Nacional sobre a exposição de telas do pintor Rodrigo de Haro, na Galeria Intercontinental, no Rio de Janeiro.

Infinitas possibilidades – reportagem publicada na edição 1 da Revista ÁREA (2007)

 

Foto destaque: acervo UFSC (reprodução www.ufsc.br)

Fontes:
UFSC, Udesc, Enciclopédia Itaú Cultural, De Olho na Ilha

 

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