Borra de café, chinelos de borracha, papelão e tampas plásticas normalmente são associados a rejeitos – mas produtos finalistas do Prêmio Salão Design mostram que esses materiais podem ser reaproveitados no mobiliário. Com pesquisa e criatividade, designers profissionais e em formação comprovam que matérias-primas não convencionais podem gerar móveis que equilibram função, estética e sustentabilidade.
A mostra do Prêmio Salão Design apresentada na feira Movelsul Brasil, que está sendo realizada esta semana em Bento Gonçalves (RS), reúne 116 produtos finalistas na 27ª edição de um dos concursos de design moveleiro mais tradicionais da América Latina. Entre os destaques estão 16 peças da categoria “Reutilizar”, que propôs o uso de materiais com responsabilidade sustentável. A premiação é realizada desde 1988 pelo Sindicato das Indústrias do Mobiliário de Bento Gonçalves (Sindmóveis).
Papelão reciclado e terra
Assinada por Gabriel De La Cruz Mota e Domingos Tótora, a Mesa Sobrepor possibilita uma peça com cerca de 95% do volume composto por materiais reutilizados (papelão reciclado, terra e água). A transformação do papelão por técnica autoral gera uma matéria com propriedades, texturas e tons próprios, não encontrados em materiais convencionais. No tampo, madeira reaproveitada proveniente de demolição. Peça premiada na modalidade profissional da categoria “Reutilizar”.

Chinelos de borracha
Produzida com 100% de borracha reciclada de chinelos pós-consumo, a Banqueta e Mesa Lateral Resola adota o conceito Zero Waste, promovendo economia circular. Resistente, maciça e sem estrutura interna, a peça é assinada por Luiz Claudio Livoti (Desmobilia).

Resíduos de tecido da indústria
O principal diferencial do Banco Converso é o uso inovador de resina e resíduos têxteis da indústria, garantindo alta resistência estrutural e estética exclusiva a cada compósito desenvolvido. A estrutura é de madeira de demolição na espécie pinho de riga. Assinado por Brenda Kariny Almeida Caldas Silva (Universidade Federal do Rio de Janeiro), o móvel foi premiado na modalidade estudante – além de render a Brenda o título de estudante destaque na 27ª edição do Prêmio Salão Design.

Borra de café
Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café, nosso país gera mais de 1 milhão de toneladas de borra de café ao ano – um resíduo orgânico com alto potencial de reuso, mas ainda pouco explorado. Com o objetivo de reaproveitar esse material, Maria Heloísa de Queiroz Rodrigues, estudante da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, apresenta a Messa Torrô, cujo tampo de biocompósito utiliza 9kg de borra de café reciclado.

Cacos de vidro
Com a Mesa Lateral Araucária, a designer Carol Gay propõe uma reflexão sobre o reaproveitamento de materiais. A base da mesa, feita de metal, é inspirada nas formas das árvores araucárias. O grande destaque está no tampo, que utiliza um material pouco explorado pelo setor moveleiro: resíduos de produção da indústria de vidros soprados. Ela aplicou a técnica de fusing para moldar e fundir os cacos de vidro, recriando formas e acabamento.

Tampinhas de plástico
A Cadeira Sorriso, assinada pelo designer Luciano Rocha, nasceu com o objetivo de criar impacto social positivo em uma comunidade de recicladores em Porto Alegre (RS). O assento e o encosto são produzidos com aproximadamente 3.600 tampinhas de plástico recicladas, coletadas por uma escola comunitária.

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