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Documentário “Paisagem Concreta” celebra os 14 anos da Fundação Iberê em conversa com o arquiteto Álvaro Siza

Por abril 6, 2022No Comments

Em Porto Alegre, a Fundação Iberê Camargo; na cidade do Porto, o escritório de Álvaro Siza, 88 anos, arquiteto em plena atividade e autor premiado projeto da sede da instituição, inaugurada em 31 de maio em 2008. Ao longo de 70 minutos, o documentário Paisagem Concreta navega entre esses dois portos.

Para celebrar os 250 anos da capital gaúcha – completados no dia 26 de março – e os 14 anos do prédio, a Fundação Iberê faz uma exibição especial do filme nos dias 9 e 10 de abril (sábado e domingo), às 17h. Paisagem Concreta foi gravado, ao longo de 2020, pela Olé Produções (SP) para o Canal Arte1. Clique aqui para assistir ao trailer.

A Fundação é o único trabalho de Siza no Brasil e de efetivo impacto internacional desenvolvido a partir de 1998. Implantado num terreno de uma antiga pedreira desativada, às margens do lago Guaíba, tornou-se uma das imagens referenciais da cidade. Sua arquitetura capta o espírito angustiado e complexo de Iberê Camargo, materializado na espacialidade interna labiríntica de passarelas suspensas, em contraste com a abertura e regularidade das salas expositivas. O caráter expressionista e sombrio das obras do artista contrasta com a brancura do espaço. A escolha de Siza veio ao encontro do artista.

“Siza captou muito bem a personalidade do homenageado, conseguindo materializar em forma arquitetônica toda a angústia de Iberê. Só que, como num gesto de mútuo acordo, para não entrar em conflito com o dono da casa, fez isso em tons de branco e a uma distância respeitosa de suas telas. O edifício, nesse sentido, é praticamente dividido em dois. De um lado a complexidade e a tensão das formas, a ‘metáfora do labirinto’, e, de outro o ‘cubo branco’, o lugar onde repousam as carregadas telas de Iberê”, recorda o arquiteto Flávio Kiefer, autor de “Fundação Iberê Camargo – Álvaro Siza”, um livro que documenta e analisa a história do prédio e o papel do projeto na trajetória de Siza, nas principais correntes do pensamento arquitetônico internacional e seu significado inovador na cultura museológica brasileira.

Um alfaiate

Álvaro Siza chegou a Porto Alegre, em maio de 2000, com a maquete do projeto pronta. “Temos que trabalhar como um alfaiate aqui”, disse à época, ao se referir à necessidade de ajustar um espaço museográfico condizente com as obras de Iberê.

O terreno que abriga a fundação também era outra dificuldade para o arquiteto: “Estou trabalhando numa parte muito especial da cidade, com uma vista belíssima para o Guaíba, em um terreno localizado na encosta com vegetação e que tem quer ser ocupada por um edifício por não dispor de muito espaço. Isso criou uma grande dificuldade no projeto. Mas os projetos se desenvolvem melhor a partir de grandes dificuldades”.

Nesses 8.250 m² de área total, a construção de Siza também faz questão de reforçar a importância do entorno, com janelas emolduradas para o Guaíba como se fossem quadros vivos. Sua indicação é que os visitantes subam de elevador ao quarto andar assim que chegam ao museu. De lá, a própria construção irá guiar a visita e os andares devem ser descidos por rampas que entram e saem do corpo do edifício como se fossem braços.

Após a exibição, os diretores Laura Artigas e Luiz Ferrás conversam com o arquiteto e pesquisador Carlos Eduardo Comas, brasileiro vencedor do prêmio internacional Philip Johnson Exhibition Catalogue Award 2017, por conta do catálogo da exposição Latin American in Construction: Architecture 1955-1980, realizada no MoMA, em Nova Iorque. A mostra apresentou um levantamento sem precedentes da arquitetura moderna da América Latina.

Ricamente ilustrado com desenhos arquitetônicos, esboços vintage, além de fotografias comissionadas, o catálogo apresenta o trabalho de arquitetos que enfrentaram os desafios da modernização com soluções formais, urbanísticas e programáticas inovadoras. Hoje, quando a América Latina está novamente fornecendo uma arquitetura empolgante e desafiadora, a Latin America in Construction traz à luz esse período vital do pós-guerra.

Os limites entre a arquitetura e a natureza

Com vista para o rio D´Ouro, o arquiteto, entre um cigarro e outro, detalha o desenho do museu gaúcho, e sua relação afetiva com o Brasil, semeada desde a infância nos relatos de seu pai nascido em Belém (PA), cultivada pelo modernismo, pela MPB e pelas novelas. Também elabora sobre os limites entre a arquitetura e a natureza, acompanhado por um percurso visual de obras celebradas como as Piscinas das Marés, a Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto e o Museu Nadir Afonso, por depoimentos de colaboradores e críticos portugueses.

Enquanto isso, do outro lado do oceano, apresentam-se os bastidores da montagem da exposição “Fio de Ariadne”, mostra inédita de cerâmicas e tapeçarias de Iberê Camargo, a reflexão de colaboradores da Fundação Iberê e arquitetos contemporâneos sobre o futuro dessa paisagem concreta fincada na beira do Guaíba.

 

Álvaro Siza

Considerado um dos nomes mais aclamados do mundo da arquitetura, Álvaro Joaquim de Melo Siza Vieira nasceu em 25 de junho de 1933, na cidade de Matosinhos, em Portugal. No início dos anos 1950, se mudou para o Porto para estudar na Escola Superior de Belas Artes. Paralelo à faculdade, realizou outro sonho: abrir seu próprio escritório e dar início a projetos residenciais de pequeno porte.

A paixão pela arquitetura e ao ensino são dois pontos fortes na vida de Siza. Seu currículo como professor inclui as universidades de Porto (até hoje), Harvard , no Estados Unidos, a Universidade dos Andes, na Colômbia, na Escola Politécnica de Lausanne e outras instituições consagradas ao redor do mundo.

Estamos falando de um dos principais arquitetos do século 20 e que, até hoje, aos 88 anos, assina projetos e grandes realizações. Um dos aspectos interessantes de sua trajetória é o interesse inicial pela escultura. Compreendida por muitos como uma continuidade do que foram o pensamento e o princípios do modernismo, é realmente possível perceber em sua obra a influência de um dos grandes do movimento moderno: o arquiteto e designer Alvar Aalto (1898 – 1976).

Rotulado como um arquiteto moderno e orgânico, Aalto sempre fez questão de incorporar um elemento da paisagem e da tradição de seu país em sua obra: o uso da madeira, muitas vezes reciclada, tanto nos móveis como nas edificações.

 

FICHA TÉCNICA
Realização: Olé Produções, São Paulo
Ideia original: Raul Penteado Neto
Argumento e pesquisa de conteúdo: André Scarpa, Manuel Sá e Raul Penteado Neto
Direção: Laura Artigas e Luiz Ferraz
Direção de Fotografia: André Scarpa e Manuel Sá
Produção Executiva: Gal Buitoni
Roteiro: Laura Artigas
Montagem: Daniela Gonçalves
Música: Baobá Stereo Club
Desenho de som e mixagem: InPut
Pós-produção: B12 Filmes
Apoio Institucional: Fundação Iberê, IAB-SP, Canal Arte 1 e Consulado Geral de Portugal em São Paulo

 

SERVIÇO
Documentário Paisagem Concreta
Quando: 9 e 10 de abril | Sábado e Domingo
Horário: 17h | Distribuição de senha 1 hora antes da exibição
Onde: Auditório da Fundação Iberê
Avenida Padre Cacique, 2000 – Cristal

Foto destaque: Álvaro Siza e o prédio da Fundação Iberê Camargo.  Foto: Jefferson Bernardes/Preview.com / Divulgação

 

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