“Nada mais convidativo que a estrutura de uma casa, o lugar comum de abrigo, de refúgio do corpo e da alma, onde se pode trocar experiências e, em seu interior, ouvir e criar histórias. Em uma casa não se vive somente a rotina do dia a dia, mas o fio de uma história de proteção, imaginação e paz. A paz primordial para nossa existência humana”. É assim que Leila Albert, artista plástica catarinense radicada em Curitiba (PR), descreve a instalação “A Casa de Todos”, que já foi exposta em diversas cidades do país e agora é eternizada como obra literária. Leila lança, na próxima semana, o livro homônimo, publicação que documenta as memórias, os afetos e o intercâmbio comunitário promovidos pelo projeto. O evento de lançamento está marcado para o dia 18 de agosto, às 18h30, na Telaranha Livraria e Café, localizada no icônico casarão da Rua Ébano Pereira, 269, na capital paranaense.
Apaixonada pelas poéticas da arte contemporânea e pelas artes manuais têxteis, Leila Albert idealizou “A Casa de Todos”, como um ambiente inteiramente arquitetado em crochê — um espaço de intimidade compartilhada, feito de fios, agulhas, memórias e encontros. A instalação consiste em uma composição de alumínio (com medidas de 3,5 m x 3,5 m x 3,4 m) inteiramente revestida por cerca de 50 mil metros de fios. A estrutura é coberta por um grande manto, formando grandes mandalas, costurado a partir de mais de 400 peças de crochê de diferentes tamanhos, cores e formas. As peças foram produzidas por artistas e crocheteiras, como o grupo Lucianas e Marias, Lisiani Serea, Vavá Diehl, Giovana Casagrande e Claudia Lara. “Um território onde arte e artesanato atravessam fronteiras e criam novos significados para uma linguagem ancestral”, define.
Durante o período de exposição, a instalação costuma funcionar como um polo cultural itinerante, oferecendo ao público atividades gratuitas como oficinas de crochê e saberes tradicionais. Desde a sua estreia, em setembro de 2022, na Rua da Cidadania Matriz, em Curitiba, a obra já circulou por diversos espaços expressivos, incluindo o Museu Municipal de Arte (MuMA), CAIXA Cultural Curitiba, Fortaleza e Rio de Janeiro, além do DeArtes – UFPR, Galeria Laila Tarran (FAP-Unespar) e o festival Floripa Quilt, em Florianópolis. A intenção para o dia do evento de lançamento do livro, é apresentar uma versão menor da instalação, com 110x110x 90cm.
Da infância em Quilombo e Chapecó (SC) até o cenário contemporâneo de Curitiba, onde vive e trabalha, a artista plástica Leila Alberti transforma memórias em arte. Ela celebra o lançamento do catálogo do projeto social “A Casa de Todos”, um reflexo de sua pesquisa que une a calmaria da natureza de suas origens ao concreto das metrópoles. Para Leila, a arte vai muito além das telas. Embora a pintura seja sua base, pensamentos e sentimentos ganham vida através de volumes e texturas em bordados, objetos e assemblagens.

“Em uma casa não se vive somente a rotina do dia a dia,
mas o fio de uma história de proteção, imaginação e paz.
A paz primordial para nossa existência humana”.
Leila Albert
Os bastidores e o impacto social de projeto
O livro funciona como um registro histórico e poético da instalação. Escrita pelo ator, narrador, diretor, artista educador e têxtil Cadu Cinelli, a publicação narra todo o processo, desde a montagem e a costura manual das paredes até o ritual de desmontagem, conduzindo o leitor pelos bastidores de um projeto que transformou linhas e conexões humanas em arte viva. A obra literária foi estruturada para refletir a delicadeza e a precisão técnica da própria instalação. Por meio de registros fotográficos detalhados, depoimentos e reflexões, a publicação preserva a comoção da equipe com a troca de saberes geracionais com o público.
Para a idealizadora Leila Alberti, o livro é um convite para o leitor ingressar no percurso da criação, vendo novelos e agulhas se transformarem em um conjunto compacto de memórias: “Nada mais convidativo que a estrutura de uma Casa, o lugar comum de abrigo, de refúgio do corpo e da alma, onde se pode trocar experiências. Por meio das trocas em convívio e da execução de pequenos trabalhos manuais ensinados aos visitantes, foi possível pausar a correria diária dentro da casa de crochês – e despertar sonhos de lugares antes já habitados na memória de seus moradores transitórios”, reflete a artista. O projeto, que deu origem ao livro, coleciona relatos de forte impacto emocional ao longo de sua trajetória. “Me marcou muito um jovem senhor que veio do Nordeste para trabalhar no Sul e, quando viu a obra, filmou para enviar para a mãe, dizendo que ao entrar na casa lembrou dela e conseguiu matar as saudades”, relembra Leila.

Serviço
Lançamento do livro “A Casa de Todos”
Por Leila Alberti
18 de agosto de 2026
18h30
Telaranha – Livraria e Café
Rua Ébano Pereira, 269 – Centro
Curitiba – PR
Fotos: Divulgação





