Este apartamento foi projetado um jovem casal de médicos de Palmas, no Tocantins, para servir de moradia temporária durante os quatro anos de residência no Hospital de Clínicas, em Curitiba (PR). A mudança, mais do que geográfica, representou a necessidade de traduzir uma forma de viver já consolidada em um novo tempo e em uma nova escala, preservando hábitos, afetos e a sensação de pertencimento.
O ponto de partida do projeto, desenvolvido pela arquiteta Diane Justus, foi o desafio de traduzir, em um apartamento de 85 m², hábitos que nasceram em uma casa de 800 m², como receber amigos e viver o conforto do cotidiano junto a seus dois cães, Romeu e Louis. A proposta envolveu a organização estratégica dos espaços para acolher a rotina da família, ao mesmo tempo em que orientava investimentos precisos e coerentes com o caráter temporário da estadia em Curitiba. Mais do que reduzir a escala, o projeto buscou preservar a experiência de convivência, acolhimento e pertencimento que definia a forma de viver dos moradores.
Como fio condutor, o projeto adotou o mimetismo visual, compondo uma atmosfera contínua, sensorial e atemporal, capaz de transformar um endereço provisório em um verdadeiro lar. A base neutra valoriza a privilegiada paisagem da cidade oferecida pelo apartamento, localizado no 21º andar do prédio.

A personalização foi desenvolvida após a entrega das chaves, com intervenções diretas na configuração original do imóvel. A proposta incluiu a redefinição de paredes e a subtração de um dos dormitórios para a ampliação da suíte principal. Na área social, a remoção de uma esquadria permitiu a integração do living à sacada, ampliando a percepção de espaço e a entrada de luz natural. O resultado é uma área de convivência mais fluida e conectada à paisagem urbana.
A curadoria de design é um destaque na composição. Entre as peças escolhidas para a área social estão a pendente Pan, a luminária Peen e a cadeira June, de Jader Almeida, a luminária Copa, de Guilherme Wentz, a banqueta Nine, de Sergio Rodrigues. Na suíte, estão a poltrona Anel, de Ricardo Fasanello, e a mesa de apoio Wed, de Jader Almeida.
A iluminação foi concebida como parte integrante da arquitetura. Ela acompanha as linhas orgânicas do projeto, valoriza as superfícies em pedra e constrói diferentes cenários ao longo do dia e da noite. A composição combina luz indireta e pontos de destaque para revelar volumes, texturas e a relação entre cheios e vazios. Na suíte, a tela tensionada no teto sobre o boudoir atua como um plano de luz contínuo e suave, filtrando a iluminação e criando uma atmosfera homogênea, sem ofuscamento.
A iluminação funcional aparece de forma pontual, seguindo as linhas orgânicas dos spots de modelo no frame e invisível, com temperatura de cor quente para preservar a leitura sensorial dos ambientes. Nos acabamentos elétricos, a personalização chegou aos mínimos detalhes. Toda a linha foi substituída por peças em inox escovado, transformando interruptores e tomadas em elementos de design que dialogam com a materialidade e o caráter refinado dos ambientes.
Nos pontos em que a funcionalidade se tornou protagonista, foram especificadas superfícies italianas, aplicadas na bancada da cozinha e na mesa de jantar, unindo desempenho técnico e sofisticação estética. O piso reforça a continuidade visual e a sensação de unidade no espaço. Em tons neutros, as paredes receberam textura que convida ao toque e se alinha ao visual mimetizado da arquitetura, ampliando a sensação de pertencimento entre materiais e atmosfera.

Para viabilizar a nova organização dos ambientes, foi necessária uma intervenção significativa na estrutura hidráulica. O projeto incluiu a criação de um boudoir integrado à suíte do casal e a ampliação do banheiro, que avançou até o pavimento inferior para o reposicionamento do eixo do vaso sanitário e da saída de esgoto. Essa solução garantiu a viabilidade técnica das novas proporções e fluxos. Todas as louças foram renovadas, com a adoção de vasos sanitários de desenho leve e linhas elegantes e lavatórios suspensos, que reforçam a estética sensorial e contemporânea do projeto.
Entre os objetos que merecem destaque estão lembranças de viagens que se transformaram em identidade no projeto, como esculturas em pó de mármore inspiradas na Vênus de Milo e na Vitória da Samotrácia.
Fotos: Bia Nauiack | Divulgação





