Com dois mil metros quadrados, a nova loja da Casa de Alessa, em Porto Alegre (RS), consolida a marca como referência em curadoria de mobiliário brasileiro, reverenciando o design autoral. São 400 peças em exposição e mais de 1.000 no acervo da empresa, considerando todos os designers representados. O espaço é cinco vezes maior do que o showroom anterior e transcende a operação de varejo tradicional, posicionando o endereço como um polo de exposições e fomento do design nacional.
Localizada na Avenida Carlos Gomes, 437, no bairro Mont’Serrat, a nova loja dedica espaços de destaque para nomes premiados internacionalmente, como Arthur Casas, Roberta Banqueri e o gaúcho Guilherme Wentz. O acervo também é composto por grandes nomes como Alva Design, Domingos Tótora, Guto Indio da Costa, Mula Preta, Ricardo Fasanello e Zanini de Zanine, entre outros. O portfólio passou a contar também com peças da tradicional marca paulista Bertolucci, que fabrica luminárias artesanais há 70 anos.
No evento de inauguração, realizado no dia 3 de março, alguns dos designers representados marcaram presença, como Ana Alonso, Andrea Fasanello, Luan Del Savio, Guto Indio da Costa, Roberta Banqueri, Giácomo Tomazzi e Lucas Takaoka. “Espaços como a Casa de Alessa têm uma importância muito especial para nós, designers, porque criam um ambiente de encontro e valorização do design brasileiro. Reunir diferentes criadores em um mesmo lugar fortalece a nossa identidade coletiva e mostra a diversidade de linguagens, materiais e narrativas que existem no Brasil”, destaca Roberta, que lança a coleção Italo-Tropical, com cerca de 20 peças que associam a precisão do design italiano e a liberdade criativa e sensorialidade brasileira. Ela acrescenta que, para quem cria, “é muito significativo estar em uma loja que acredita no autoral e que abre espaço para apresentar o trabalho de forma próxima do público”. “A Casa de Alessa cumpre esse papel de curadoria e de conexão, aproximando as pessoas dos processos, das histórias e da essência por trás de cada peça”, reforça.
“A curadoria da Casa de Alessa é um processo estratégico e coletivo que envolve diferentes olhares das sócias, da equipe e de profissionais que contribuem para a construção do showroom”, afirma a sócia-fundadora, Claudete Tavares. A curadoria estabelece um filtro rigoroso que separa o efêmero do essencial, celebrando o trabalho original devidamente licenciado. O compromisso da empresa é garantir um mercado saudável e ético, guiados pela crença de que consumir design original é um ato de responsabilidade e cidadania, fortalecendo um ecossistema focado na transparência e na excelência.
A inauguração contou com uma exposição de arte sob a curadoria de Patricia Borges. Foram expostas obras originais de grandes nomes da produção nacional, reunindo trabalhos históricos de Tomie Ohtake, Lina Bo Bardi, Burle Marx e Mira Schendel. A seleção incluiu também peças de Artur Lescher, Daniel Senise, Antonio Dias e Nicolas Vlavianos. A integração entre o design de interiores e as artes plásticas passa a ser uma prática permanente da Casa de Alessa, que já tem em seu calendário uma futura exposição individual de Eduardo Rezende.
Arquitetura a serviço do design
O showroom da Casa de Alessa cresceu de um espaço de 380 m² para um edifício de aproximadamente 2 mil m², uma ampliação física e conceitual. O projeto arquitetônico e de interiores, assinado pela AT Arquitetura, de Porto Alegre, foi concebido sob a premissa de um “cubo branco”: uma base neutra, ampla e atemporal na qual a arquitetura atua como pano de fundo para que o verdadeiro protagonista, o design brasileiro, brilhe sem interferências visuais.
Cada detalhe estrutural foi pensado para proteger e enaltecer o acervo. A fachada utiliza o sistema Arkowall, composto por painéis translúcidos de policarbonato que filtram a luz natural e oferecem proteção UV para madeiras e tecidos, além de garantir conforto acústico. No interior, o projeto luminotécnico, desenvolvido pela arquiteta Cristina Maluf, prioriza a fidelidade das cores com luminárias de alto Índice de Reprodução de Cor (IRC), mesclando luz difusa e spots direcionáveis. A circulação, sob a direção criativa de Yago Sales, é fluida e livre de paredes fixas, utilizando biombos para guiar uma visitação de descobertas. O projeto de paisagismo, que conta com a colaboração da Gramoterra, garantiu espécies nativas nos interiores. O arquiteto paisagista Fernando Thunm assina o rooftop, um terraço urbano com vista panorâmica criado para oferecer momentos de pausa, contemplação e convívio.
De e-commerce a ponto de encontro de design
A Casa de Alessa nasceu no ambiente virtual, como uma plataforma de compras em 2015. A iniciativa foi de Claudete Tavares, com uma trajetória construída entre comunicação, marketing e negócios. Ela atuou por cerca de duas décadas no mercado publicitário e também na área acadêmica, lecionando disciplinas ligadas a negócios e marketing. Durante um período de vivência nos Estados Unidos, iniciou a construção do projeto que viria a se tornar a Casa de Alessa, orientada por curadoria, experiência e posicionamento de marca.
“Quando criamos a plataforma de e-commerce, confesso que ainda não imaginávamos que a Casa de Alessa se transformaria no que ela é hoje. Naquele momento, estávamos dando os primeiros passos, testando caminhos e entendendo como poderíamos construir algo relevante no mercado”, afirma Claudete. Ela conta que a “virada” aconteceu com a decisão da abertura de uma loja física. “Ali, sim, fizemos um planejamento muito estruturado e passamos a enxergar com mais clareza onde queríamos chegar. Havia uma intenção estratégica de construir um espaço que fosse mais do que uma loja, um lugar de encontro entre quem cria, quem produz e quem admira o design brasileiro”, revela.
O primeiro showroom, com 380 metros quadrados, foi inaugurado em junho de 2016, localizado na Rua Silva Jardim, 120, também no bairro Mont’Serrat. E logo ganhou reconhecimento como loja de mobiliário brasileiro de curadoria estratégica, como elo entre designers, fabricantes e clientes, valorizando peças autorais, processos criativos e materiais nobres. E se consolidou como um lugar de encontro, conteúdo e experiência, que agora é potencializado com a nova loja. “Ver esse projeto ganhar forma é profundamente emocionante. Existe uma satisfação enorme quando aquilo que foi pensado com cuidado, foco e atenção aos detalhes começa a se materializar. Nada aconteceu por acaso: foi um caminho de muito trabalho, disciplina e crença no que estávamos construindo”, reforça.
Entre 2021 e 2024, duas sócias passaram a integrar o negócio e contribuir para a estruturação e desenvolvimento da nova fase da marca: Janaina Tavares, que possui mais de 20 anos de experiência na área comercial, com atuação no mercado publicitário e corporativo, e Ulyana Capucci, que construiu parte de sua trajetória profissional fora do ambiente corporativo tradicional, conciliando diferentes experiências de vida e atuação em negócios familiares.
“Hoje, olhar para a Casa de Alessa nesse novo momento traz um sentimento muito especial. É a confirmação de que planejar com propósito e executar com consistência realmente transforma sonhos em realidade”, reforça Claudete Tavares.

Fotos: Lucas Franck | Divulgação





