O foco no bem-estar e na qualificação da experiência dos usuários orientou o projeto de reforma da Joy, novo nome da Gym Club, localizada no Centro de Florianópolis (SC). Com 3.000 metros quadrados de área total, o espaço passou por uma reconfiguração arquitetônica que destinou 500 metros quadrados ao conceito de wellness, reunindo ambientes voltados à atividade física, ao relaxamento, ao conforto e à integração entre usos.
Assinado pela arquiteta Bettina Tosin, o projeto reorganizou áreas já existentes da academia, incorporando saunas seca e úmida, piscinas aquecida e fria, banheira de gelo, nova sala de massagem e vestiários completamente requalificados. A intervenção buscou aproximar o clube de referências internacionais de personal wellness clubs e de projetos de hospitalidade de alto padrão. A motivação do empresário Marcelo Stefani, CEO e fundador da Joy, com a reforma veio a partir da pesquisa realizada por ele durante visitas a 40 empreendimentos do ramo da hospitalidade, entre academias, hotéis, restaurantes e resorts, em cidades como Londres, Milão, Nova Iorque e Dubai.
O projeto arquitetônico teve como diretrizes conforto, tecnologia e conexão entre as áreas de bem-estar e o vestiário, com o objetivo de traduzir, por meio da arquitetura, um conceito de exclusividade e cuidado com o usuário. Uma das decisões centrais foi a relocação dos vestiários para o pavimento inferior, integrando-os diretamente às áreas molhadas, como piscinas e saunas. A arquiteta Bettina destaca que essa mudança foi o ponto de partida para qualificar a experiência sensorial, proporcionando maior facilidade e conforto para os usuários. A nova configuração cria uma transição contínua entre os ambientes, reforçando a leitura do wellness como um conjunto de espaços interligados e complementares.

Desempenho e conforto ambiental
A escolha dos materiais priorizou conforto térmico, acústico e sensorial, além de critérios rigorosos de durabilidade, segurança e facilidade de manutenção, fundamentais em áreas úmidas e de uso intensivo. Os novos vestiários receberam piso aquecido e revestimentos em pedra travertino romano, material que remete a projetos de hotelaria high-end e contribui para uma atmosfera sofisticada e atemporal. Nas saunas secas, foram especificadas madeiras naturais, adequadas para esse tipo de ambiente. “Elas têm baixa condutividade térmica, e distribuem melhor o calor”, explica a arquiteta.
As superfícies seguem uma linguagem de acabamentos foscos e porosos, reforçando a sensação de acolhimento. Já nas saunas úmidas, o projeto adotou revestimentos claros e neutros, que transmitem frescor e facilitam a manutenção. As bancadas em pedra natural foram escolhidas pela resistência, pelo bom desempenho em ambientes úmidos e pela facilidade de limpeza. O piso aquecido atua como elemento de transição térmica, reduzindo o choque entre áreas frias, externas ou molhadas e os ambientes internos.

Arquitetura e experiência sensorial
Executar uma reforma desse porte com o estabelecimento em pleno funcionamento exigiu um planejamento logístico rigoroso para mitigar ruídos e impactos na circulação. Uma das soluções adotadas foi a transferência gradual das atividades de um andar para outro, utilizando horários com menor número de alunos. Fechamentos com tapumes das áreas em reforma e comunicação constante sobre as etapas da obra foram medidas adotadas para amenizar o impacto da obra junto aos usuários.
Importante também destacar a complexidade da rede de infraestrutura necessária para garantir o alto desempenho das áreas técnicas. A relocação para o andar inferior exigiu a criação de uma grande área externa para locação dos sistemas de filtragem e das máquinas das saunas e o redimensionamento dos sistemas de pressurização de água e de bombeamento. Para garantir segurança e acessibilidade, foi incorporada uma rampa de transição, assegurando uma passagem confortável entre os ambientes e reduzindo riscos de tropeços.
Ao final, o projeto se consolida não apenas como uma reforma estrutural, mas como a criação de um refúgio urbano onde o equilíbrio é a palavra de ordem. “A principal função de um spa é conectar o corpo e a mente, e esses dois no espaço. Então, a arquitetura trabalha um pouco de forma terapêutica, criando experiências sensoriais equilibradas”, enfatiza a arquiteta. O equilíbrio considera os níveis de iluminação, a presença de vegetação e de materiais naturais e uma paleta cromática neutra que induzem à tranquilidade e ao relaxamento. “É preciso evitar o estímulo excessivo e trazer um pouco de paz”, reforça.
Fotos: Divulgação Joy






