Definidos os projetos das casas do Pavilhão Brasil para a Bienal de Arquitetura Brasileira. Conheça os representantes do Sul

No Parque Ibirapuera, em São Paulo, 27 residências serão simuladas para representar a diversidade da arquitetura de interiores brasileira. A iniciativa integra a Bienal de Arquitetura Brasileira, que será realizada de 25 de março a 26 de abril de 2026. Agrupadas no Pavilhão das Culturas Brasileiras, as casas terão cerca de 100 m2 cada e apresentarão as propostas de arquitetos de todo o país representativas dos seus estados.

Os projetos foram selecionados a partir de um concurso nacional organizado pela plataforma Archa com apoio do CAU-BR. Somente arquitetos e urbanistas com registro ativo no Conselho puderam votar nos projetos selecionados. Entre os principais critérios de análise estiveram aderência ao tema da arquitetura brasileira situada, qualidade técnica e construtiva, viabilidade de execução, impacto cultural e a capacidade de propor leituras críticas e inventivas sobre cada unidade federativa. O masterplan é assinado pelo Estudio Leonardo Zanatta, vencedor de concurso anterior específico.

A região Sul será representada pelos escritórios Studio Carbono + Matte Arquitetura (Rio Grande do Sul), Jeferson Branco Arquitetura (Santa Catarina) e Boscardin Corsi (Paraná).

“Acredito que a relevância desta oportunidade, focando em nossa proposta, transcende a arquitetura. Adotamos essa perspectiva, utilizando design e arte como instrumentos de construção cultural. Visamos, possivelmente, ser o primeiro ato de reposicionamento cultural do estado em âmbito nacional”, afirma Jeferson Branco. Em entrevista para a revista ÁREA, ele explica que não apresentará a “imagem esperada de Santa Catarina”, mas, sim, a essência descoberta por meio da pesquisa de curadoria e arte e design estadual de mais de 75 designers e artistas realizada pelo escritório em colaboração com a jornalista Simone Bobsin, entrevistas com o fotógrafo Denilson Machado e dados da Boobam. “A participação nesse projeto nos permite desafiar o imaginário coletivo que ainda associa nosso estado a uma visão de colonização europeia e a uma ordem tradicional. Nosso projeto, antes de ser arquitetônico, foi concebido como uma pesquisa e curadoria, impulsionada por essa inquietação”, enfatiza. Jeferson acrescenta que sua intenção é revelar uma Santa Catarina “vibrante, complexa e vanguardista”.

O Rio Grande do Sul terá representação do Bioma Pampa. A relação entre território, cultura e paisagem foi traduzida em arquitetura pelas equipes da Matte Arquitetura e do Studio Carbono em um projeto colaborativo, com um olhar contemporâneo, sensível e comprometido com o lugar. Com raízes em Bento Gonçalves e Porto Alegre, os escritórios evidenciam uma arquitetura que “valoriza o significado dos espaços, a experiência cotidiana e a sensibilidade como premissa de projeto”.  “Representar o Rio Grande do Sul em uma Bienal de Arquitetura é uma honra imensa e um gesto de responsabilidade cultural. A arquitetura que nasce aqui carrega paisagem, memória e modos de viver próprios do nosso território. Essas camadas são transformadas em projeto e reflexão, levando ao debate nacional uma arquitetura que expressa pertencimento, identidade e cultura”, afirma a arquiteta Marina Ferrari, do Studio Carbono.

O Paraná estará representado pelo escritório Boscardin Corsi na “Casa que Dança”, batizada em referência ao poema de Paulo Leminski — “tudo dança em uma casa em mudança”. Na proposta, equilibram criatividade e minimalismo, valorizando artistas, designers e marcas locais e expressando a arquitetura modernista paranaense, acreditando na permanência das suas construções e na importância da sua preservação, a partir de uma proposta do morar contemporâneo. O projeto busca transpor para o espaço uma pesquisa que mescla a produção histórica do estado com experiências sentimentais da equipe, estabelecendo contrastes que celebram as transformações de quem habita o espaço. O arquiteto Edgard Corsi destaca a força da Bienal e valoriza a importância atribuída à arquitetura de interiores do Brasil. “Ter a oportunidade de mostrar que a arquitetura de interiores é tão importante quanto uma arquitetura externa, porque é onde justamente as pessoas vão morar, vão viver, traz um peso ainda maior”, enfatiza. 

 

Conheça os projetos do Sul

 

Rio Grande do Sul

Querência Amada
Por Studio Carbono + Matte Arquitetura

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Santa Catarina

Pavilhão de Santa Catarina
Por Jeferson Branco Arquitetura

 

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Paraná

A Casa que Dança
Por Boscardin Corsi

 

 

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Imagens: Divulgação BAB 

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