Por Barbara Cristina Ahagon
Acadêmica de arquitetura e urbanismo*
A habitação de interesse social é, antes de tudo, um direito fundamental garantido pela Constituição Brasileira. No entanto, a forma como esse direito tem sido implementado ainda reflete desigualdades profundas e uma arquitetura que, muitas vezes, se distancia da vida cotidiana das pessoas. Segundo o Programa de Planejamento Territorial e Desenvolvimento Socioambiental da UDESC, cerca de 611 mil pessoas vivem em condições precárias de moradia em Santa Catarina, número equivalente à população da cidade de Joinville (SC). Este projeto de Habitação de Interesse Social nasce do propósito de compreender o habitar como expressão de dignidade, e a arquitetura como ferramenta de transformação social e reconstrução simbólica.
A base conceitual do projeto foi estruturada a partir da Pirâmide das Necessidades Humanas de Maslow, reinterpretada sob uma ótica arquitetônica e urbanística. As camadas: fisiologia, segurança, pertencimento, estima e autorrealização, foram traduzidas em estratégias projetuais, transformando o habitar em processo contínuo de conviver e transformar.

Perspectiva geral do conjunto com a promenade

Estrutura e implantação urbana
Implantado em terreno plano com duas testadas, o conjunto foi posicionado para maximizar integração com o entorno, orientação solar e ventilação natural. A promenade central, perpendicular à Rodovia principal, Osvaldo Reis, em Itajaí (SC), conecta comércios, serviços e áreas de estar. Na transversal, uma passarela elevada liga as edificações, oferecendo novas experiências visuais. Ao final, a praça gastronômica e o playground funcionam como extensão do espaço público e promovem permeabilidade e pertencimento.
Foram desenvolvidas cinco tipologias principais: Kitnex, Kitnex PCD, Simplex, Simplex PCD e Duplex. As unidades variam entre 25m² à 50m² e a modulação de 4x4m, garantindo eficiência espacial e flexibilidade futura. Essa diversidade evita a homogeneização, reforçando o senso de comunidade e a diversidade real dos modos de morar.

Perspectiva geral do conjunto com a praça gastronômica

Estratégias passivas de iluminação, ventilação e drenagem
Coletividade, sustentabilide e cidadania
Praças, playgrounds e a promenade central compõem a malha de convivência. A praça gastronômica abriga feiras e eventos comunitários, tornando-se ponto de convivência e identidade coletiva. A
cidade se torna extensão da moradia, e o espaço público tão acolhedor quanto o privado.
A sustentabilidade foi tratada de forma integrada, conciliando baixo custo e eficiência. Ventilação cruzada, iluminação natural e drenagem sustentável garantem conforto e resiliência urbana, enquanto a participação dos moradores reforça a sustentabilidade social do conjunto.
A habitação de interesse social deve ser compreendida como política de transformação. O projeto mostra que é possível unir viabilidade técnica, valor simbólico e impacto social, reafirmando a arquitetura como instrumento de consciência coletiva e dignidade humana.
* Barbara Cristina Ahagon é acadêmica de Arquitetura e Urbanismo da Unisul. Esse artigo é um resumo do seu trabalho de conclusão de curso (TCC), produzido em 2025 sob orientação do professor Marcelo Eichstadt Nogueira.

Estrutura urbana e integração entre espaços públicos e privados.





