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Pesquisa aponta cenários para a indústria da construção no Brasil nos próximos anos e orienta empreendedores

Por agosto 21, 2018 Sem comentários
 O desenvolvimento da indústria brasileira da construção nos próximos três anos depende crucialmente da capacidade de recuperação econômica. Mais do que isso, precisa estar atrelada a reformas estruturais, como a tributária e a da previdência, que permitam uma expansão da capacidade produtiva e do investimento de longo prazo. Mas mesmo que a economia cresça, as dificuldades do cenário internacional prejudicam uma retomada mais forte e rápida até 2020.

Este é o diagnóstico que aponta a pesquisa “Cenários prospectivos: os impactos da produtividade da indústria construtiva 2018-2020“, produzida pelo Sistema de Inteligência Setorial (SIS) do Sebrae Santa Catarina. O material, disponível gratuitamente neste link, apresenta três cenários possíveis para os próximos anos, a partir de metodologia que analisa o panorama do setor e as tendências futuras identificadas.
Ao longo dos últimos dez anos, o mercado de construção civil – que fatura anualmente R$ 1,1 trilhão e representa 6,2% do PIB nacional – viveu momentos distintos: entre 2007 e 2013, foi um dos motores do crescimento econômico do país, com auge em 2010, quando teve uma expansão de 13,1%. Mas desde 2014 o setor acumula quedas ano após ano, sendo que o pior resultado foi em 2015, com retração de 9%.

Diante deste retrospecto e dado o momento econômico, de tímida recuperação produtiva, e político no Brasil, com as eleições deste ano, a pesquisa mostra três caminhos:
Cenário 1: produtividade impulsionada por uma situação político econômica favorável
O próximo triênio será favorável se a situação política for menos turbulenta, com o governo tendo apoio político e social para implementar medidas que reduzam o déficit habitacional, facilitar o acesso a crédito e gerar demanda por obras de infraestrutura. O crescimento sustentável da indústria da construção depende de uma série de fatores econômicos, como uma simplificação na questão tributária e o emprego de novas tecnologias que auxiliem a produtividade. Se esses fatores estiverem alinhados, a perspectiva é de um crescimento entre 1,6% e 1,8% do setor nos próximos três anos.
Como atuar neste cenário?

  • Faça investimentos de longo prazo: linhas de financiamento para investir em produtividade, além de programas de capacitação de mão de obra. Será um momento interessante para testar novos modelos de negócio e nichos de atuação.

Cenário 2: incerteza econômica tem impactos negativos na produtividade
Este cenário considera uma leve retomada da governabilidade com recuperação econômica favorável ao setor, mas ainda com alto nível de incerteza, não sendo suficiente para alavancar a produtividade. Em 2018 o momento é de certo alívio comparado aos últimos quatro anos com o encolhimento do PIB, mas a retomada está sendo mais lenta do que o esperado. Mantendo este panorama, o setor deve ter uma pequena expansão (de 0,5% neste ano até 1% em 2020). Porém, a incerteza política e a econômica reduzem o incentivo ao investimento produtivo. Sem garantias de um sistema econômico estável, as empresas acabam focando nas obrigações de curto prazo e adiam investimentos em novas tecnologias e expansão da capacidade produtiva.
Como atuar neste cenário?

  • O momento é de cautela em relação a investimentos, pois a melhora econômica é apenas uma possibilidade no horizonte. Cuide da saúde financeira, respeitando sua capacidade de manutenção e pagamento.
  • Identifique padrões de consumo e produção no mercado imobiliário para planejar seus investimentos em novos projetos. Compare os tipos de empreendimentos que registraram maior queda e alta de vendas, e o volume do estoque disponível no mercado.

Cenário 3: situação político-econômica desfavorável reduzindo a produtividade
No cenário mais pessimista analisado neste estudo, o ambiente será de muitos desafios aos empresários do setor, com insegurança econômica, alta da inflação, desemprego e baixíssimo nível de investimentos, tanto público quanto privado, desfavorecendo a absorção de novas tecnologias e impactando negativamente na produtividade. Com alta tributação e acesso ao crédito limitado, o processo produtivo vai encarecer. Dessa forma, as empresas priorizam a redução de custos, como mão de obra. Assim, a maior queda do PIB no setor será em 2018 (estimativa de – 1%), o que deve se seguir com índices um pouco menores (entre -0,2% e 0,5%) nos anos seguintes.
Como atuar neste cenário?

  • Cuidado com a parte financeira da empresa com possibilidade de busca de crédito de giro, renegociação de contratos e cortes de custos.


Independentemente do cenário futuro que se desenhe, o SIS-Sebrae seleciona algumas dicas que podem ajudar os empresários do setor nos principais desafios dos próximos anos:

  • Priorize ações para aumentar a produtividade (remodelação dos processos de desenho e engenharia, melhoria da gestão de compras, uso de tecnologia digital e técnicas avançadas de automação e capacitação de mão de obra);
  • Privilegie contratos mais curtos;
  • Melhore o treinamento de segurança e ofereça-o com maior frequência;
  • Adote tecnologias de maneira mais ágil (como dispositivos móveis e tablets em campo para reduzir a dependência de papel e acelerar os processos).

Foto: Divulgação Sebrae 

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