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Grupo Croquis Urbanos Curitiba lança um novo olhar sobre a capital paranaense

Por novembro 25, 2017 Sem comentários

Desenhistas iniciantes, amadores e profissionais, reúnem-se há quase cinco anos para observar e ‘eternizar’ edificações, parques, praças e momentos do cotidiano de Curitiba, capital paranaense. “Nosso objetivo é registrar a cidade, seus habitantes e aprender uns com os outros sobre as possibilidades expressivas e técnicas do desenho de observação”, afirma o designer José Marconi Bezerra de Souza, um dos fundadores do grupo Croquis Urbanos Curitiba. Os encontros acontecem todos os domingos – faça chuva ou faça sol -, quando em torno de 30 participantes reúnem-se para criar um croqui de um tema específico predefinido no tempo máximo de duas horas. O registro gráfico é feito in loco, sem consulta a fotografias.

Papéis, pranchetas, canetas hidrográficas, marcadores, aquarela, lápis grafite e de cor, barras de grafite e carvão, giz de cera, giz pastéis são as ferramentas utilizadas pelos desenhistas. Entre eles estão designers, arquitetos, engenheiros, corretores imobiliários, jornalistas, publicitários, historiadores, entre outras variadas profissões. Ao final da atividade, marcado pelo badalar do sino do grupo, os trabalhos são expostos em frente ao local registrado e uma fotografia da turma completa o ritual semanal. A programação é divulgada na fanpage do www.facebook.com/CroquisUrbanosCuritiba

A prioridade do Croquis Urbanos Curitiba é desenhar in loco por puro prazer, bem como estimular a diversidade de linguagens gráficas adotadas pelos desenhistas e despertar o interesse pelos personagens, arquitetura e design urbanos de Curitiba. “Portanto, não temos curadoria e qualquer desenhista será bem-vindo, independente da idade ou perícia técnica. Esta opção pelo prazer, diversidade e ausência de hierarquia e curadoria dá ao nosso grupo um clima mais leve, alegre e motivador para uma aprendizagem tácita”, reforça Marconi. Para organizar os trabalhos, o grupo estabeleceu algumas regras, como ser fiel às cenas e compartilhar os desenhos on-line – a maioria delas baseadas no manifesto do Urban Sketchers, grupo internacional que pratica o desenho de observação e que serviu de inspiração para o grupo.

Conforme a filosofia do grupo, “o desenhar, por meio da observação direta, teria um objetivo em si: treinar o nosso olhar a filtrar e sintetizar a informação de uma ‘realidade’ visual, muitas vezes demasiadamente complexa ou mesmo redundante.  O resultado é um registro gráfico individualizado que transcende o caráter documental que poderia ser obtido através de uma fotografia digital”.

Trajetória de reconhecimento

Tudo começou em março de 2013, quando os designers Lia Monica e José Marconi avistaram, do alto de seu apartamento na Praça Generoso Marques, no centro da cidade, o arquiteto Reinoldo Klein desenhando o prédio do Paço Municipal. O casal foi até ele e pediu permissão para acompanhá-lo na ‘aventura’. Na mesma semana, Marconi recebeu o telefonema do também professor  e arquiteto Wagner Polak propondo a reunião de um grupo para desenhar cenários da cidade para uma possível história em quadrinhos. “Pronto. Estava formado o trio que iniciou, da forma mais despretensiosa possível, o coletivo Croquis Urbanos Curitiba”, conta Marconi. De lá para cá, já foram realizados 238 encontros, quase ininterruptos, contabilizando em torno de 500 desenhistas no total.

A iniciativa vem conquistando cada vez mais adeptos e reconhecimento. O grupo já organizou seis exposições em museus e galerias de arte curitibanas e a experiência vem se tornando uma referência e inspiração para grupos similares em todo o Brasil. Há dois anos, o grupo foi convidado para ministrar uma Oficina no “Encontro Internacional de Desenho de Rua”, que foi realizado na cidade de Torre Vedras, Portugal. E, recentemente foi convidado para contribuir no trabalho de pesquisa da arquitetura curitibana desenvolvido pelas pesquisadoras Dra. Elizabeth Amorim e Dra. Zulmara Posse.