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Bienal de Curitiba tem exposições de arte contemporânea em mais de 100 pontos da cidade

Por janeiro 12, 2018 Sem comentários

A Bienal de Curitiba abriu as portas de mais de uma centena de espaços culturais da cidade, apresentando trabalhos de artistas brasileiros e de países dos cinco continentes. Iniciado em outubro do ano passado, o evento segue até o dia 25 de fevereiro com exposições e performances em vários espaços culturais da cidade, entre museus, galerias de arte e locais públicos. Clique aqui e confira a programação.

A Bienal Internacional de Curitiba é realizada há 24 anos e é referência em arte contemporânea, reconhecida como o maior evento de arte contemporânea da América do Sul e um dos principais eventos de arte do circuito mundial. Nesta edição, sob o tema sob o tema “Antípodas – Diverso e Reverso”, a Bienal de Curitiba presta uma homenagem à China. A Bienal apresenta 238 obras de artistas chineses, escolhidas pelo Ministério da Cultura da China como representantes da arte contemporânea chinesa, expostas no Museu Oscar Niemeyer (MON). “É um diálogo cultural sem precedentes na longa relação sino-brasileira, que se enriquece na diversidade social, étnica e artística dos nossos países”, afirmou o governador do estado do Paraná, Beto Richa, durante a solenidade de abertura da Bienal, realizada no MON. Na ocasião, o embaixador Li Jinzhang lembrou que esta é a primeira vez que um país é homenageado na bienal e que o evento representa a maior exposição de artistas contemporâneos chineses na América Latina. “O Paraná e Curitiba traçaram um laço importante no intercâmbio cultural e humanístico, que reflete na cooperação pragmática que temos em outras áreas”, disse.

As atrações da Bienal foram organizadas em Mostra, Circuito Integrado, Circuito Gastronômico, Circuito Infantil e Circuito de Arquitetura. Em novembro, o Festival de Cinema da Bienal Internacional de Arte de Curitiba (FICBIC) exibiu uma centena de filmes inéditos, entre curtas, longas e documentários, selecionados pela curadoria. Dentre eles, produções nacionais e, também, da Austrália, Espanha, Israel, China e Noruega.

E, excepcionalmente nesta edição, a Bienal de Curitiba ganhou extensão em Florianópolis (SC). O convite partiu de Luiz Ernesto Meyer Pereira, diretor-presidente da Bienal, que participou de um evento da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA) realizado no Museu da Escola Catarinense (MESC) em 2016. “Essa será a primeira vez que uma Bienal se faz presente em solo catarinense”, conta Sandra Makowiecky, diretora do MESC. O Polo catarinense da Bienal foi representado pelo MESC, da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc);  e pela Fundação Cultural Badesc. As exposições catarinenses aconteceram entre setembro e novembro, reunindo trabalhos de 20 artistas no MESC, sob o tema “antípodas contemporâneas” e 37 no Badesc, sob o tema “Fotografia: seus sistemas híbridos e fronteiriços”.

Destaques da Bienal de Curitiba

O MON, sede do Pavilhão da China, recebe as exposições da CAFAM Biennale e da Shanghai Biennale, abrigadas na torre, e a mostra “Vibrations”, com curadoria de Fang Zhenning e Liu Chunfeng, que ocupa o espaço do Olho e nos jardins do museu, onde destaca-se o artista Chen Wenling (China), ganhador do prêmio Leão de Ouro da Bienal Internacional de Veneza.

Outras seis mostras ocupam as salas do MON. Com curadoria de Martha Mestre está “Songs for my hand”, que teve como ponto de partida a obra do artista Richard Serra (USA), que também participa da exposição. Com curadoria de Massimo Scaringella está a outra parte da mostra “Antítese Imagens Síntese”; com curadoria de Carlos Brugnera a mostra “Dualidades Humanas”, trazida pelo Museu de Arte Contemporânea do Paraná – MAC. Agnaldo Farías fez a curadoria de “Não está claro até que a noite caia”, da artista Juliana Stein, que faz uma reflexão sobre uma das questões-chave da arte contemporânea – a relação entre imagem e texto. O curador Tulio de Segastizábal apresenta o resultado de sua extensa pesquisa sobre o trabalho fotográfico de Guadalupe Miles, sobre a comunidade Wichi, no Chaco argentino. Ainda no MON, a exposição “Ópera hominum” traz obras de José Rufino, sob curadoria de Leonor Amarante, com 21 painéis com as mãos de operários impressas sobre seus holerites. E finalmente, com a curadoria de Fernando Ribeiro, uma intervenção no subsolo do Museu, intitulada “excuse door.

No Palácio Iguaçu,  atual sede do Governo do Paraná, uma mostra de arquitetura contemporânea chinesa se propõe a confrontar a produção dos hemisférios Oriental e Ocidental.

No Museu da Fotografia, a mostra “Além da Fotografia”, com curadoria de Tício Escobar, traz obras de Rodrigo Petrella e Banhi-re Kayapó. No mesmo museu, Carolina Loch, prêmio jovem curadora da Bienal, apresenta quatro trabalhos das norte-americanas Guerrilla Girls. E no Museu da Gravura, está parte das obras do Circuito Universitário da Bienal de Curitiba –  Cubic, com curadoria de Stephen Dan Batista.

No Memorial de Curitiba, onde se realiza a exposição sobre a cidade chinesa de Hangzhou, cidade irmã de Curitiba, também poderão ser visitadas duas mostras: A primeira com curadoria de Massimo Scaringella, com o título “Antítese Imagens Síntese”. A segunda com curadoria de Royce Smith e Dannys Montes de Oca, que traz obras de artistas dos mais diferentes países, intitulada “Porque o mundo nunca deve perder o seu afeto”, que se espalha pelo Memorial e pelo Museu Paranaense.

No MuMa, com curadoria de Zhang Zikang, a mostra reúne o que de mais novo se produz nas várias regiões da China, tão distantes e diferentes entre si; de aquarelas e óleo sobre tela a instalações e esculturas, as obras revelam uma sociedade cada vez mais aberta à globalização e ainda fortemente vinculada à sua tradição cultural. Também no MuMa está parte da exposição do Cubic, com curadoria de Stephen Dan Batista. A exposição “Imagem em Profusão: Intersecções da colagem expandida”, do Clube da Colagem, também faz parte da programação do MuMa, considerada a linguagem oficial da comunicação fragmentada e assíncrona da contemporaneidade, uma linguagem intermediária entre as demais formas de expressão artística.

No Museu Alfredo Andersen, “Arte e Vida” tem curadoria de Carlos Brugnera e radicaliza o conceito de antítese a partir do qual coloca diversas dicotomias. A exposição traz obras de Vilma Slomp, Sérgio Adriano H e Faisal Iskandar. Em “O Ser e o Estar”, de Vilma Slomp são apresentadas fotografias e um vídeo que mostram as diferenças do Norte e o Sul do Brasil, em suas dimensões, clima e natureza. Em “Dúvida da Verdade”, do artista Sergio Adriano H, a proposta de imagens discutem uma verdade, propõem uma reflexão sobre o que pode ser ou não verdade. Em “Oculus Digitus”, de Faisal Iskandar, leva o espectador ao passado por meio de fotografias, vídeos e uma instalação. A mostra fica exposta até o dia 18 de fevereiro de 2018. A entrada é gratuita.

Bike Galeria – Além da exposição no Museu Alfredo Andersen, o artista catarinense Sérgio Adriano H apresenta a inusitada Bike Galeria, com uma exposição itinerante do projeto “A Dúvida da Verdade” sobre a sua bicicleta. A Bike Galeria apresenta 12 obras produzidas em 2014 entre a sua viagem para o deserto do Atacama, no Chile, e seu retorno ao Brasil. De acordo com Sérgio, o objetivo principal do projeto é o deslocamento, a “ambição de ultrapassar fronteiras na tentativa de transformar praças, calçadões e até centros culturais em museus a céu aberto capazes de alcançar quem não costuma acompanhar o circuito de arte contemporânea” – colocar artista-obra-público em diálogo com a cidade e estimular infinitas leituras e experimentações estéticas. “A arte possibilita nos mantermos vivos e lúcidos. Precisamos, no entanto, quebrar paradigmas sociais, analisar e questionar “como as regras (Verdades Apresentadas) são impostas e por quem”, diz o artista.

Legado da Bienal 

Entres as intervenções urbanas, destaca-se o trabalho neoexpressionaista do artista chinês Wu Weishan. A obra, em bronze fundido, faz referência ao filósofo Confúcio (551 – 479 a.C), e foi instalada no Largo da China no dia 30 de setembro, por ocasião da inauguração do espaço público. O largo está localizado na esquina das ruas Marechal Hermes e Deputado Mário de Barros, no Centro Cívico. A escultura de grandes dimensões (3,10 m de altura x 1,58 m de largura x 1,50 m de profundidade) pesa 1,2 tonelada e foi um presente do governo chinês para a cidade.

“Ficamos agradecidos ao povo e ao governo chinês por essa maravilha e saudamos a presença dessa escultura como um elo entre Curitiba e a China, que é o nosso grande mercado consumidor. Queremos consolidar essa amizade”, disse o prefeito da capital paranaense, Rafael Greca, durante a solenidade. De acordo com o diretor-presidente da Bienal, Luiz Ernesto Pereira, a doação da obra, que seria exposta temporariamente e voltaria para a China ao término do evento, foi um agradecimento à iniciativa da Prefeitura de Curitiba de destinar um lugar tão nobre, entre o Palácio Iguaçu e o Museu Oscar Niemeyer, para homenagear aquele país. “A Bienal só existe com essa dimensão porque é resultado de um esforço gigantesco de muitas instituições”, afirmou.

A Bienal Internacional de Curitiba é uma realização do Ministério da Cultura do Governo Federal, do Museu Oscar Niemeyer/Secretaria de Estado da Cultura do Governo do Paraná e da Fundação Cultural de Curitiba/Prefeitura Municipal de Curitiba.

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