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Bienal de Artes Visuais do Mercosul inicia hoje, em Porto Alegre, referenciando a ligação entre América, Europa e África

Sob o tema “O Triângulo do Atlântico”, a 11ª Bienal de Artes Visuais do Mercosul tem início hoje com uma grande festa na Praça da Alfândega, no centro de Porto Alegre (RS).  Um grande espetáculo vai celebrar o início da programação da Bienal, com apresentação da Orquestra de Câmara Fundarte, sob direção artística do maestro Antonio Borges-Cunha e participação de artistas como Jorginho do Trompete, Artur Elias (flautista), Thiago Colombo (violonista), Olinda Allessandrini, (pianista), acompanhando os cantores solistas Glau Barros, Dudu Sperb e Anaadi, Angela Diehl, Vitor Ramil e o Coral Viva La Vida. 

No programa de hoje também está o grupo Máscara Encena, em performance com direção de Liane Venturella; CIA Rústica de Teatro (direção de Patrícia Fagundes); Performance de Dança Contemporânea “TERCEIRO G.” (direção de Renata de Lélis) e leitura de textos clássicos, interpretados por Zé Adão Barbosa.

A Bienal do Mercosul acontecerá de 6 de abril a 3 de junho, reunindo 70 artistas e coletivos de artistas – além de ações pontuais realizadas em comunidades remanescentes de quilombos localizados nas cidades de Porto Alegre e Pelotas –, nos espaços do Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Memorial do Rio Grande do Sul, Santander Cultural, Praça da Alfândega e Igreja Nossa Senhora das Dores.

O Triângulo Atlântico

Sob o título O Triângulo Atlântico, a Bienal pretende lançar um olhar sobre o triângulo que, há mais de 500 anos, interliga os destinos da América, da África e da Europa. A edição atual é concomitante ao marco dos 130 anos de abolição da escravatura brasileira.

O curador Alfons Hug e a curadora adjunta Paula Borghi reúnem, nesta edição, 70 artistas e coletivos de artistas que expressam, em formas diversas, pulsões artísticas e culturais que tensionam as históricas relações de interdependências transatlânticas na contemporaneidade, inclusive evidenciando certos avanços socioculturais que foram feitos nos últimos anos no Brasil.

“A peculiaridade desta Bienal é reunir pela primeira vez, arte africana, afro-brasileira e indígena em diálogo, reconhecendo o legado do grande impacto da diáspora negra na construção do Brasil”, afirma Bianca Bernardo, Coordenadora pedagógica da 11a Bienal do Mercosul. Segundo ela, a convite da curadoria, dois artistas brasileiros, Camila Soato e Jaime Lauriano, realizaram residências artísticas em comunidades quilombolas remanescentes. “Camila Soato desenvolveu seu projeto em diálogo com a comunidade do Quilombo Areal, no centro urbano da cidade de Porto Alegre, que estará no mapa de visitação da Bienal apresentando uma exposição, no prédio sede da associação, de pinturas realizadas pelas suas moradoras. Já o artista Jaime Lauriano, realizou residência entre as comunidades quilombolas Família Silva (Porto Alegre) e Vó Elvira (Pelotas), apresentando esse diálogo entre os territórios de resistência em uma exposição na Casa 6 em Pelotas”, acrescenta Bianca.