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Street Art influencia projeto de sushi bar em Florianópolis

Por junho 30, 2017 Sem comentários

Integrar gastronomia, arte, arquitetura, música, instalações e experiências em um restaurante conceito a ser instalado em uma edificação que antes abrigava um antiquário​. Essa foi a missão assumida pelas arquitetas Amanda Sayuri e Clara Machado, que estão à frente da Sayuri Machado Arquitetura, para concepção do projeto do Noma ​Sushi ​Bar, que abriu as portas na última semana, no centro da capital catarinense. Requisitos como conforto, descontração ​e elementos que estimulassem os sentidos e causassem surpresa ​deveriam ser atendidos para o novo empreendimento. “Ficamos bastante contentes​​, pois o imóvel em questão era um local que amávamos e frequentávamos, a Mercato Art, um antiquário e galeria de arte. O espaço era um grande galpão com uma área aberta nos fundos”, diz Clara Machado.

 O local, de ​122 m²,  apresenta um layout que soluciona todas as questões práticas de um restaurante: cozinha, área de serviço e atendimento. De acordo com a arquiteta ​Amanda Sayuri, a ideia sempre foi manter a “alma” da Mercato Art, que atuava na valorização dos artistas locais. “Propusemos transformar aquela galeria num lugar de encontro, tendo a gastronomia como um dos elementos para que os clientes tenham bons momentos. Recorremos ​a referências da Street Art, imprimindo ​um conceito que chamamos carinhosamente de “​Japa Contemporâneo Industrial”, destaca.

Elementos já existentes do local foram apropriados, possibilitando a continuidade da história da construção. Foram mantidos os tijolos aparentes, toda a cobertura de madeira, os tacos e as partes em cimento queimado do chão, fruto das reformas anteriores na galeria. No teto, a iluminação principal, feita por uma composição de lustres do século passado, reformados pelo Fábio Gerevine, antigo dono da Mercato, também foram conservados.

 

 Arte por todos os lados

E foi exatamente com o intuito de manter a alma do endereço é que as arquitetas convidaram alguns artistas para mergulhar o empreendimento no universo das artes plásticas. “A fachada cega criada para esconder a cozinha, tornou-se uma grande tela, na qual o artista Paulo Govêa, criou uma grande gueixa com traços contemporâneos”, destaca ​Clara Machado. As características do trabalho do artista também podem ser conferidas ao longo do empreendimento, com obras expostas nas paredes​ do salão principal,​ que levam o cliente até um dos espaços mais disputados do Noma: o Beco. “Brifamos o Paulo de que queríamos um beco de Tokyo e então ele, junto com vários artistas de Street Art​,​ grafit​ou toda a área externa criando um ambiente descontraído, ​inusitado, ​alegre e repleto de arte”, completa.

Um outro destaque é a instalação instalação da artista plástica Bela Teixeira que revest​e todas as paredes e teto do hall de entra​d​a​, uma obra da série Abstrato Supernova, onde a artista trabalha com tinta neon que brilha quando exposta à luz negra. “É uma indicação de que se está entrando num mundo diferente, uma nova experiência para todos os sentidos”​, afirma Amanda Sayuri​. O artista Julian Gallasch também está presente no projeto do Noma Sushi, dois grandes quadros foram pintados nas portas do banheiros, comprovando que todo lugar é lugar para a arte.​ Ela acrescenta ainda que “​p​ara a experiência de vivenciar o conceito do Noma ser completa e valorizar ainda mais as obras selecionadas, investimos em automação na iluminação e sonorização. Quando a madrugada se aproxima, as luzes começam a piscar ao som da música e o agito começa”​.

“O Noma Sushi é a cara do nosso escritório, sim. Mas também é a cara do nosso cliente​​. É a cara dos artistas que participaram: é um pouco de Paulo Govêa, de Bela Teixeira e de Julian Gallasch. É muito do Fábio Gerevine (Mercato Art), que atuou como curador nas obras que estão hoje expostas no Noma”, afirmam as arquitetas .

Fotos: Acervo  Sayuri Machado Arquitetura

 

 

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