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Ruy Ohtake cria móveis em porcelanato: “a inovação tem que romper o consenso”

O porcelanato como matéria-prima para mobiliário é a proposta da nova marca lançada pela Portobello no final de março com exclusividade em Santa Catarina. A Officina Portobello propõe o uso do material para além do revestimento, mas em formas tridimensionais, em estantes, mesas e objetos. “Isso era impossível de se pensar até o ano passado. Essa é uma conquista tecnológica importante. Se nós, arquitetos e designers, conseguirmos dar formas, cores interessantes, eu não tenho a menor dúvida de que, em futuras exposições, ela terá repercussão internacional”, disse o arquiteto e designer Ruy Ohtake na apresentação da novidade aos profissionais catarinenses no evento de inauguração da nova loja Portobello Shop em São José.

A expertise de Ruy foi associada à tecnologia de precisão de corte da Portobello para o desenvolvimento de móveis em porcelanato, baseado no fortalecimento da relação pessoal e profissional entre ele e o empresário Cesar Gomes Júnior, presidente da indústria. “Eu quero deixar expresso que essa amizade foi crescendo por uma razão muito simples: ambos gostamos do avanço da tecnologia com a estética – esse é o motor fundamental. Juntos, procurarmos caminhos cada vez mais inovadores, mais criativos”, disse o arquiteto.  Ruy já projetou estandes de feiras para a empresa, já desenvolveu linhas de produtos e foi um importante incentivador, no passado, para a indústria começar a investir em revestimentos externos. “Com a tecnologia que eles conseguem, pensamos: por que não sair da parede também”, contou. E adiantou o que deverá vir de novidade por aí: “qual será a próxima etapa? A Portobello vai para o jardim e para a rua. Aí, completa a cidade”. Em São José, Ruy Ohtake falou sobre a nova marca, sobre a excelência do design nacional e a importância de não nunca se conformar com a meta alcançada.  Confira:

 

Inovação

“Esse avanço (projetar móveis em porcelanato) é sinônimo de ousadia e inovação; de não se conformar com a etapa conseguida. Ela serviu apenas para que se avance para outra. Não é a toa que lança hoje a Officina e a Portobello já está pensando na próxima. Esse desafio estimula a mim e aos arquitetos para que possamos contribuir com alguns desenhos cada vez mais inovadores, únicos. O Brasil tem condições de estar num patamar muito alto de apresentação de designers em qualquer exposição mundial. Chega de copiar coisas de fora, de Milão ou de Miami. O Brasil começa a ter uma linguagem própria, e isso é muito importante”.

 

Desafio da coleção

“O desafio foi fazer com que as peças a serem fabricadas saíssem da parede, entrassem no espaço da casa. Como foi possível? Ao trabalhar inteiramente só com porcelanato. Aquele móvel que chamamos de Surf, são 4 ou 5 peças em tons diferentes de porcelanato. (Desenhando o móvel no quadro) Essas peças, que tem mais ou menos 1,8 metro de altura, olhando de frente, são assim. Essa placa de frente, a outra um pouco mais perto… E as prateleiras. Aqui um objeto, livros etc.. Isso ‘se autossustenta’; não precisa de apoio de parede e nem fixação no chão. É um móvel. E algumas mesas, que só podem ser baixas, de centro ou lateral. Pega uma folha de porcelanato e faz um corte. E alguns apoios. Forma esse conjunto de mesas.

Inspiração

“É um conjunto de fatores. Aos fatores forma, estrutura e emoção, eu acrescentaria surpresa. Na arquitetura de interiores, as peças têm que provocar surpresa, emoção, e tudo isso se junta com um pouco de ousadia; é nós não nos conformarmos com o que já se conseguiu.

O que já se conseguiu é o consenso. E todos nós ligados à criação, seja no design, na arquitetura, na música, na literatura, devemos aceitar que o consenso foi importante, mas que a inovação tem que romper o consenso; tem que romper o estabelecimento que se conseguiu. Então, não podemos perder esse entusiasmo. Todo o patamar que alcançamos é um estímulo para que outro seja trabalhado e conseguido. É assim que a criatividade, a história da música, avança pelo mundo, pela história.

A Portobello não está aí só para estabelecer o que se faz. Ela tem, no DNA, a inovação, e essa condição permite que nós, designers e arquitetos, possamos colocar as peças brasileiras num contexto internacional. A Portobello passa essa responsabilidade para nós. Temos que responder bem e saber convencer a Portobello – é um convencimento de ida e volta”.

Projetar em diferentes escalas

“A proporção é um elemento muito importante para todos nós, arquitetos e designers. A relação de proporção de uma parede, de um espaço que se faz arquitetura. Eu, nessas incursões, não gosto muito da simetria. VC faz a metade e repete para lá; deveria ganhar honorários pela metade. Então, eu acho que o assimétrico provoca um trabalho maior, mas, ao mesmo tempo, pode ser um trabalho mais criativo.

Teoricamente, a dificuldade é a mesma entre grandes e pequenas escolas, mas, na prática, não é. Basicamente, proporção e sensibilidade andam muito juntas. E aí não tem conversa: tem que trabalhar, tem que experimentar, tem que ajustar. O computador não ajuda; é a mão mesmo: risca em cima e vai riscando até chegar a um ponto bom. Aí, sim, vc pode pegar o computador. E, a partir de um croqui inicial, transformar a criação em desenho para computador porque ele será matriz para toda a discussão e desenvolvimento do projeto executivo. Pode ir ajustando, mas sem perder a raiz do projeto, da proposta original. Pode haver pequenos ajustes naturais, mas é preciso tomar cuidado para ela não ficar descaracterizada.”

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