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Projeto voluntário mobiliza arquitetos, engenheiros e empresas do setor para a reconstrução de casas destruídas por incêndio em Florianópolis

Uma iniciativa nascida em meio à urgência da solidariedade. Já impactadas pelas medidas restritivas determinadas pelas autoridades de saúde para contenção da proliferação do coronavírus em Florianópolis, famílias do bairro Monte Serrat tiveram a situação agravada no último dia 27 de março. Três casas localizadas em um mesmo terreno foram completamente destruídas por um incêndio. As três famílias foram abrigadas por familiares moradores da comunidade, que integra o complexo do Morro da Cruz, uma das regiões de maior vulnerabilidade social da capital catarinense.

Uma corrente de solidariedade logo foi formada, principalmente para a arrecadação de alimentos, roupas e artigos de higiene, fortalecendo a campanha que já vinha sendo realizada pelo Instituto Vilson Groh (IVG). O IVG vinha arrecadando fundos para a compra de cestas básicas e itens de higiene pessoal para distribuição nas comunidades de periferia da Grande Florianópolis para famílias que têm encontrado dificuldades para com a alimentação em função do fechamento das escolas, dos projetos de contraturno e interrupção/cancelamento de serviços.

Em paralelo, o Movimento Traços Urbanos abraçou a causa e criou um grupo específico para a reconstrução das casas que foram destruídas pelo incêndio. Assim nasceu o “MORADA MONTE SERRAT”, sensibilizando e envolvendo arquitetos e urbanistas, engenheiros e outros profissionais, inclusive de fora do movimento, e organizações afins convidadas, como a Engenheiros sem Fronteiras – Núcleo Florianópolis. Além de empresas da construção civil que já formalizaram a doação de materiais de construção.

“Este grupo é fruto da disponibilidade que cada um demonstrou para podermos trabalhar em rede no projeto de [re]construção das moradias que foram atingidas pelo incêndio”, afirma a arquiteta e urbanista Silvia Lenzi, uma das idealizadoras do Movimento Traços Urbanos, coletivo multidisciplinar que atua de forma voluntária e colaborativa para a requalificação dos espaços públicos de Florianópolis. O Movimento Traços Urbanos já atuava no bairro Monte Serrat, em parceria com a Rede IVG, desde 2017, quando assumiu a curadoria do projeto da Praça Monte Serrat, inaugurada em agosto de 2019.

“Acho que, num momento como esse, em que estamos em casa com nossas famílias em função da situação do covid19, e vendo as famílias que perderam as casas no incêndio só vem a reforçar nossos esforços de solidariedade e compaixão pelo próximo. Sabemos que esta luta de reconstrução não será fácil mais estamos confiantes. E, com a ajuda de todos, levantaremos tijolo por tijolo e traremos novamente dignidade a essas famílias”, afirma Patrício da Cruz presidente do Conselho Comunitário do Monte Serrat.

Uma campanha de arrecadação de fundos está sendo conduzida pelo Centro de Pastoral e Espiritualidade Nsa. Sra. do Monte Serrat, com a meta de arrecadar R$ 120 mil para a construção das casas. Até o dia 2 de abril, R$ 11.138,58 já haviam sido arrecadados. Os valores estão sendo auditados pelo IVG.

 

SOBRE O MORADA MONTE SERRAT

O Morada Monte Serrat prevê o desenvolvimento de projetos de arquitetura e de engenharia, o acompanhamento da execução das obras e a viabilização da construção.

Diversos membros do Movimento Trabalhos Urbanos estão envolvidos, em diferentes frentes de atuação, incluindo a conexão com outros movimentos e organizações afins. Três arquitetos e urbanistas assumiram o desenvolvimento dos projetos arquitetônicos das casas de forma voluntária: Bernardo Bahia, Matheus Pivetta e Marcelo Eischstadt Nogueira. Eles já realizaram entrevistas, de forma remota, com as famílias, para identificação do programa de necessidades, e já estão dedicados ao desenvolvimento dos anteprojetos. As premissas são rapidez, segurança e conforto. Diretrizes de sustentabilidade também foram estabelecidas por consultores especializados, membros do Movimento Traços Urbanos, considerando conforto ambiental, eficiência energética e no uso da água, materiais e componentes.

“Quando estamos de frente para um projeto desse tamanho, a gente se surpreende com a quantidade de pessoas querendo ajudar e fazer acontecer, da melhor e mais rápida forma possível, dando toda a atenção e dignidade a essas pessoas, as quais, por diversas questões sociais, acabam sendo deixadas de lado, excluídas, acabam sendo invisíveis. Quando tiramos um pouco do nosso tempo e damos esse presente para essas pessoas, a troca é quase imediata. A gratidão que a gente sente, numa frase ou áudio dessas pessoas pelo WhatsApp é contagiante, melhora qualquer dia. Sentimos, no tom da voz, que eles estão realmente gratos e esse é o melhor pagamento”, ressalta o arquiteto e urbanista Matheus Pivetta.

Outros profissionais colocaram-se à disposição e estão contribuindo, seja de forma colaborativa ou na viabilização de técnicas e de materiais de construção. Os projetos de engenharia ficarão a cargo do Núcleo Florianópolis da organização Engenheiros sem Fronteiras, que também aderiu ao Morada Monte Serrat. “Estamos muito gratos pela oportunidade de participar, pois percebemos que temos muito a contribuir e, também, fomentar essa parceria, visto que somos parceiros de trabalho. Daremos o nosso melhor para contribuir com os projetos complementares visando sempre à melhoria das condições de moradia das famílias”, afirma a engenheira civil Carolina Kuhn, vice-presidente da ONG Engenheiros sem Fronteiras – Núcleo Florianópolis.  

O levantamento planialtimétrico de cada uma das três áreas será realizado por uma empresa voluntária nesta próxima semana. O levantamento é fundamental para verificação das dimensões horizontais, perímetros e níveis de cada área. A técnica construtiva ainda não está definida. Diversos estudos estão sendo analisados pelo grupo para identificação da técnica mais adequada considerando os recursos disponíveis e a agilidade necessária. A execução das obras deverá acontecer em regime de mutirão.

Todo o processo está sendo desenvolvido em conformidade com as determinações da Prefeitura de Florianópolis e a execução das obras somente serão iniciadas após a entrega do laudo de perícia pela Defesa Civil.

 

Como participar:

Doação de alimentos:
Entre em contato com Marlete Reis de Souza pelo telefone (48) 98479-2706.

Doação de materiais de construção:
Entre em contato com:
arquiteta Tatiana Filomeno – tatiana@atelierdearquitetura.com.br; ou
arquiteta Maria Aparecida Cury Figueiredo pelo WhatsApp (48) 99982-3752

Doação de móveis:
Entre em contato com a arquiteta Ana Trevisan pelo telefone (48) 99961-7198

Doação em dinheiro:

Caixa Econômica Federal
Agência: 1078 operação: 013 (poupança)
conta: 43199-0
Titular: Centro de Pastoral e Espiritualidade Nsa. Sra. do Monte Serrat
CNPJ: 13.238.291/0001-00

 

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