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Projeto comunitário implementa espaço de convívio em área carente de Florianópolis

A comunidade pediu e a sociedade civil atendeu. Após quase dois anos de pesquisas, estudos e debates, o projeto da ‘Praça Monte Serrat’ foi concluído e as obras já foram iniciadas. Na última semana, as lideranças da comunidade, localizada na região central de Florianópolis, assistiram a apresentação do projeto que eles próprios planejaram, com a curadoria do Movimento Traços Urbanos e, no dia seguinte, as máquinas já estavam no local para início dos trabalhos. A inauguração da primeira etapa está prevista para o segundo semestre deste ano.

A Praça Monte Serrat será uma área de convívio qualificada que está sendo implementada no terreno localizado na rua General Nestor Passos. Está na esquina com a General Vieira da Rosa, no conhecido ‘terreno da Caixa d´Água’, no bairro Monte Serrat. O local faz parte do Maciço do Morro da Cruz, uma das regiões de maior vulnerabilidade social da cidade.

A iniciativa é do padre Vilson Groh, presidente do Instituto Vilson Groh (IVG), reconhecido empreendedor social. O IVG ‘adotou’ o local, pelo programa municipal ‘Adote uma Praça’, e convidou o Movimento Traços Urbanos para assumir a coordenação do projeto de arquitetura paisagística. Com 7.023 metros quadrados de área, o terreno foi cedido pela CASAN à Prefeitura em 31 de outubro de 2013 para “uso gratuito como área de lazer e convivência”. Agora adotado pelo IVG, ganha nova função.

Formado por um grupo transdisciplinar com pessoas de diferentes competências e áreas de atuação, o Movimento Traços Urbanos iniciou a chamada ‘prototipagem’ do projeto em junho de 2017. Foram realizadas reuniões de trabalho com as lideranças, pesquisas de campo e oficinas com as crianças e adolescentes para definição das prioridades e interesses deles para o local. A partir desses estudos, o projeto foi desenvolvido, reforçando a importância do espaço público na construção do indivíduo – principal bandeira do Movimento Traços Urbanos. O projeto contempla um parque com playground, academia ao ar livre, uma bica carioca, pista para caminhada e espaço para realização de feirinhas, entre outras atividades.

Mas a proposta vai além da criação de um espaço de convívio para a população. A intenção é incentivar o turismo e mostrar as ‘belezas’ do bairro. “O que falta na nossa sociedade são conexões, elos que façam as realidades opostas se integrarem e é essa a nossa proposta. Criar oportunidades na comunidade do Monte Serrat, criando espaços para o artesanato local, com as produções que nascem no morro e lincando com o ambiental com o horto florestal que temos aqui no maciço, além, de num futuro próximo, da criação de uma via gastronômica”, explica padre Vilson.

Para a execução, padre Vilson conquistou o apoio da empresa WOA Empreendimentos Imobiliários, parceira do IVG. A empresa está patrocinando as obras da Praça Monte Serrat e assumirá a manutenção dos equipamentos. A comunidade deverá ser envolvida no plantio e na posterior manutenção da vegetação e, também, da limpeza do local.

“Muito mais do que a revitalização das áreas, o nosso objetivo é trazer a lente da sociedade e órgãos competentes para a realidade desta comunidade. Com a somatória de esforços e atitudes podemos, sim, construir um mundo melhor; a transformação depende de cada um de nós. Como diz o padre Vilson, sim, a beleza vence a bruteza, mas a beleza não apenas pela estética, mas pelos atos, pelo propiciar a está comunidade uma nova oportunidade de ser o próprio protagonista de sua história”, destaca Walter Silva Koerich, diretor da WOA Empreendimentos Imobiliários, empresa responsável pela execução da obra.

Sobre o projeto da Praça Monte Serrat

O Movimento Traços Urbanos deu início ao planejamento no dia 10 de junho de 2017, durante um café da manhã realizado na residência do padre Vilson Groh. Na sequência, ocorreu um debate no salão paroquial com moradores e frequentadores da comunidade. O objetivo era a identificação das atividades de rua realizadas frequentemente, a relação deles com o espaço público, além da compreensão das questões culturais e das demandas, desejos e expectativas de cada um para a região.

Em seguida, arquitetos e engenheiros do Movimento Traços Urbanos realizou uma caminhada pelas ruas do bairro para a identificação das áreas disponíveis, dos possíveis caminhos e equipamentos a serem criados. De volta à casa paroquial, o grupo reuniu-se em oficina para o mapeamento do programa de necessidades em relação ao espaço físico existente.

No dia 1 de julho daquele ano, o Movimento participou da primeira edição do projeto Monte Serrat Cor. Idealizado pela WOA Empreendimentos Imobiliários e pelo IVG, foi realizado um mutirão de pintura de imóveis de uso comum, como a Igreja, o centro Informa Anastácia, o Centro de Voluntariado, entre outros. A ação mobilizou cerca de 100 voluntários, incluindo moradores da comunidade, com o apoio de empresas e órgãos públicos.

A partir de então, diversas reuniões foram promovidas com a comunidade para o desenvolvimento conjunto do projeto da Praça Monte Serrat, que agora começa a se tornar realidade. “Acredito que os lugares podem transformar a vida das pessoas. No Monte Serrat, encontramos um espaço especial por sua beleza física e já querido por uma comunidade organizada e engajada. Essa iniciativa vai potencializar o elo dos moradores com este lugar, convidando mais pessoas a conviver ali em grupo”, enfatiza a arquiteta Juliana Castro, uma das titulares do escritório JA8 Arquitetura e Paisagem, que assina o projeto de arquitetura paisagística da Praça Monte Serrat de forma voluntária. O projeto foi desenvolvido a partir do pré-projeto elaborado por Juliana e pelo arquiteto Fabiano Marques – membros do Movimento Traços Urbanos – com as lideranças da comunidade em oficinas de trabalho e nas pesquisas de campo realizadas pelo Grupo Via.

Em reuniões promovidas na escola local, as crianças e adolescentes moradoras da região também apresentaram suas propostas. O escritório de cooperação da Univali contribuiu com o levantamento técnico do terreno para adequação do projeto final.   “Atuamos mais como uma espécie de curadores da proposta, em si, do que como realizadores. Inserimos no ‘papel’ a ideia dos moradores, que tiveram envolvimento íntimo com a proposta, a partir da visão técnica e condicionantes levantados pelos profissionais”, ressalta Fabiano Bernardes.

 

Imagens: Divulgação Movimento Traços Urbanos 

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