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Na exposição Manifesto CASA, arquitetos provocam reflexão sobre percepções e comportamentos e

Por agosto 13, 2017 Sem comentários
 

 

Cinco arquitetos e urbanistas de Florianópolis (SC) apresentam cenários criados para instigar, para provocar reflexões sobre temas que rondam a contemporaneidade, na exposição “Manifesto Casa sobre TERRAcota”, projeto realizado pela loja Studio Ambientes, localizada no Shopping Casa & Design, na capital catarinense. Juliana Pippi, Marcelo Salum,  Roberta Zimmermann Buffon e a dupla Tais Marchetti Bonetti e Giovani Bonetti foram convidados pela empresa para criarem quatro ambientes que estimulassem as pessoas a repensar padrões, fronteiras, consumos e comportamentos. A exposição pode ser conferida até a primeira semana de setembro.

As narrativas criadas estão baseadas nos quatro assuntos propostos: NON GENDER – Abra a janela, deixe fluir; Global/Local – O corpo é a fronteira; Descarte/Reúso – Ressignificação em tempo de excesso e escassez; e Cyber, Uber, Hiper – A projeção do que (não) somos. “A casa é abrigo, é refúgio, também resposta. Foi nesta linha de pensamento que criamos este projeto, que joga luz a conteúdos essenciais para estimularmos a conversa, e que inspirou os profissionais na composição dos ambientes, aqui chamados de manifestos. Os espaços foram produzidos com total liberdade de expressão”, explica a empresária Maria Tereza Vanelli, à frente da Studio Ambientes.

A arquiteta Juliana Pippi assumiu o território do ‘não gênero’ e deixou rolar os sentimentos. “Este tema tem que ser discutido. As pessoas têm que incorporá-lo nas suas vidas. No espaço, o NON GENDER está representado pela pluralidade de cores, pelas formas do mobiliário e a não geometria. Meu ponto de partida na criação foi o tapete. Trabalhei como uma base de pensamento e, por meio da peça, desenrolei a ideia dos polos opostos: o feminino e o masculino, o preto e o branco. Entre eles, há uma gama de outras possibilidades, como um espectro de cor. Nesta transição de matizes, o laranja pode ser laranja, ou amarelo, ou terracota, ou, ainda, terra, depende da sensibilidade do olhar e de quem se permite enxergar. O mobiliário também traz formas mais delicadas contrapondo os traços retos e absolutos. Fica o questionamento: é necessário rotular sempre as coisas, as pessoas?”, explica.

Marcelo Salum dilui a distância entre o Global/Local posicionando o corpo como não fronteira. “É um tema atemporal, desde que a humanidade existe, o corpo é fronteira/matéria/passagem para a espiritualidade. A proposta foi olhar para dentro, e tentar se libertar desta fronteira. No espaço o corpo é o centro da atenção de tudo. Evidencio essa dualidade, entre o Global e o Local, como uma oportunidade para aumentar a percepção”, detalha.

Viver com menos e mais consciência não é novidade, mas atitude urgente. A dupla do escritório Marchetti Bonetti + Arquitetos Associados, Tais Marchetti Bonetti e Giovani Bonetti, trouxe para a cena do manifesto “Descarte/Reúso – Ressignificação em tempo de excesso e escassez” a arte telúrica e tridimensional da artista Clara Fernandes. Para os arquitetos, a opção por poucos móveis sustenta a ressignificação em tempo de escassez numa composição marcada pelo reutilização de materiais nas obras e tecidos que revestem o mobiliário. “Levamos a sério o conceito de reaproveitamento e usamos a criatividade no desenho de um conjunto de mesas de centro com estrutura em aço inox fornecida pela Studio Ambientes e tampos feitos com sobras de mármores da Pedecril. Uma prova de que é possível obter resultados de alta qualidade direcionando o uso de materiais que estariam fadados ao descarte. Também trabalhamos com as peças de Domingos Tótora, em papelão reciclado, e a obra tridimensional da Clara, reforçando o pensamento de sustentabilidade”, comenta Tais.

Roberta Zimmermann Buffon critica o uso intenso da tecnologia, especialmente, nos espaços urbanos. As cenas de casais plugados no celular, mães e filhos conectados às telas dos seus computadores móveis deixando a vida passar lá dentro e lá fora. Isolados no seu mundo particular, seu mundo tecnológico paralelo. “As pessoas preferem ver as imagens da vida real numa telinha de celular e IPAD enquanto estão fotografando, filmando, ao invés de ver ao vivo. Então eu penso: O que é mais importante? Capturar essa imagem num produto tecnológico ou capturar a imagem no coração, que, com certeza, não é a mesma emoção. Então a minha crítica é essa”, argumenta. No espaço, a cena de um jantar faz alusão a uma paisagem de Florença como janela, a plotagem com a brincadeira da selfie. “Bolamos um cenário com dois modelos vestindo máscara, um fator bem importante numa sociedade que se retoca no photoshop, que se edita. Em tempos de filtros, a máscara é uma menção a essa pessoa que está sempre se escondendo atrás da perfeição”, considera.

A exposição “Manifesto Casa sobre TERRAcota” tem concepção e fotografia assinadas por A CASAA Comunicação.

Fotos: Mariana Boro |  Divulgação