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Curitiba ganha incubadora para jovens arquitetos e urbanistas

Por janeiro 17, 2020 Sem comentários

Um espaço exclusivo para a capacitação e incentivo à carreira de arquitetos e urbanistas recém-formados. Essa é a proposta do Atelier 1901,  incubadora inaugurada há dois meses em Curitiba (PR), por iniciativa dos arquitetos Ismael Gustavo Zanardini e Thatiane Botto de Barros, sócios do Studio BaZa Arquitetura e Interiores.

Ismael é professor na disciplina de Arquitetura de Interiores nos cursos de graduação e pós-graduação em arquitetura e urbanismo na PUC-PR há oito anos e acompanha de perto os dilemas dos seus ex-alunos depois de formados. Muitos o procuram depois da graduação com a mesma incerteza sobre futuro na carreira. “Vários buscam cursos de especialização para não ficarem parados ou defasados, mas isso não garante a tão sonhada colocação no mercado de trabalho”, comenta.

Com o objetivo de reunir esses profissionais em um espaço que transcende a ideia de coworking, o Atelier 1901 não só disponibiliza espaços individuais para o trabalho, mas, também, busca colaborar na capacitação dos recém-formados por meio da prática projetual, com o apoio de arquitetos mais experientes e uma rede de parceiros técnicos e artísticos. E, também, como um hub de captação de projetos por meio de parcerias público-privadas.

A permanência do recém-formado na incubadora é de até dois anos. Depois disso, espera-se que ele tenha se desenvolvido como profissional e possa buscar oportunidades como autônomo, com um escritório próprio, ou como associado em escritórios de arquitetura. São oferecidos planos para período integral e meio período, entre outras opções. Os interessados em participar devem se cadastrar pelo site  www.atelier1901.com.br.

Atelier 1901 está localizado na rua Voluntários da Pátria, 400, no décimo nono andar de um edifício quase centenário, no centro da capital paranaense, com vista da Praça Osório. O espaço tem 200 metros quadrados, com capacidade para receber até 60 profissionais em dois turnos. São 30 posições de trabalho, divididas em mesas compartilhadas que se integram à perspectiva de planos limpos e ambientes neutros.

Um grande painel ao fundo, assinado pelo artista e arquiteto Rômulo Lass, reproduz, em azulejos, a geografia da praça em frente ao edifício. Nas paredes, obras do também artista plástico e arquiteto Erwin Zaidowicz Neto  destacam-se na decoração, que ainda traz esculturas do artista plástico catarinense Luciano Blanck.

A ideia

A ideia do Atelier 1901 surgiu a partir de uma inquietação de Ismael e Thatiane. Formados pela PUC-PR em 2009, ambos tiveram dificuldades de encontrar emprego na área no primeiro ano como arquitetos. “Foram cinco meses angustiantes”, revela Ismael, que buscou oportunidades em diversos escritórios, mas sem sucesso, o que o fez pensar em abrir mão da profissão e arriscar outras áreas. Isso só não aconteceu porque logo teve oportunidade em um escritório que buscava novos profissionais no mercado. “Não são todos os lugares que apostam em recém-formados, dando oportunidade de desenvolverem suas habilidades. Tive sorte”, conta.

Como em outras áreas, mesmo que o aluno tenha acumulado estágios ao longo do curso, isso não significa que ele sairá empregado ao final da graduação. Além disso, tanto o estágio como a graduação não qualificam o aluno para uma realidade comum na arquitetura, a abertura do próprio escritório, por exemplo. “Saímos da graduação inseguros e inexperientes, sem ter ideia de como nos colocarmos no mercado com autonomia”, comenta Thatiane.

Foi pensando nesses aspectos que Ismael e Thatiane conceberam a ideia do Atelier 1901, com o objetivo de não só capacitar, mas também tornar os arquitetos recém-formados aptos para se colocarem no mercado de trabalho com maior segurança. “O que queremos é dar autonomia para esses profissionais. Queremos que se destaquem nos projetos que venham a realizar”, salienta Ismael.

Oportunidade de negócios

O Atelier 1901 também se propõe a ser um hub de captação de projetos por meio de parcerias público-privadas. “Somos uma comunidade, um espaço de colaboração e de troca de experiências entre recém-formados em Arquitetura e Urbanismo e outros profissionais com o objetivo de capacitar esses novos profissionais em um lugar em que eles possam se desenvolver e se consolidar nesse início de carreira, sem medo de errar”, destaca Ismael Zanardini.

A intenção é que, como centralizador de projetos, o Atelier 1901 selecionará possibilidades para seu público interno, isto é, os novos arquitetos. Cada projeto é apresentado para o grupo e os arquitetos interessados em desenvolvê-lo devem fazer um estudo preliminar, individual ou colaborativamente. “Finalizada essa etapa, o cliente é chamado ao Atelier para que os arquitetos apresentem suas propostas. Dessa forma, o cliente tem diferentes ideias e concepções a sua frente para escolher uma para execução. Quando escolhida a melhor proposta, cabe ao arquiteto ou arquiteta responsável estabelecer o orçamento, fechar o contrato e executar o projeto, tudo com o respaldo dos nossos parceiros”, explica Ismael.

Ainda, além da colaboração e apoio dos idealizadores, o Atelier 1901 também proporciona a troca de experiências com arquitetos e urbanistas conceituados, bem como mentorias “on demand” de acordo com os interesses individuais ou coletivos do grupo. O espaço também firmou parcerias com grandes empresas e fornecedores para dar suporte aos projetos. Até o momento, são 26 parceiros de diferentes segmentos aliados da iniciativa. São eles: Grupo Adamus, Ardonié Ambientes, Bigfer, Cebrace, Coral, Marcenaria Daysi Design, Decorea, Flor e Ser Planta, Hard Clean, Hettich, Hidroforma, JVN, Mannala, Maniacs Brewing Co., Monofloor, Momentum & Design, Ner Casa de Luz, O Bicho Carpinteiro, Pine Smart Home, Rocha & Barros Advogados Associados, STM Empreendimentos, Squadro, Tintas Verginia; além dos artistas Erwin Zaidowicz, Luciano Blanck e Rômulo Lass.

 

Fotos: Eduardo Macarios | Divulgação

 

 

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