Projetos

Arquitetos qualificam relação de pousada com o meio ambiente

No projeto contínuo de reforma da pousada Fazenda Verde, na Praia do Rosa, em Imbituba (SC), os arquitetos Beto Gebara e Marila Filártiga vêm planejando mais do que a atualização dos espaços da edificação, construída nos anos 1980. Nesse projeto, eles têm criado novas áreas para atender às atuais demandas do empreendimento sob o viés da relação positiva entre o meio ambiente e o ambiente construído.

A pousada ocupa uma área de 30 mil metros quadrados, rodeada por uma natureza exuberante. Os benefícios da sua localização, considerando a paisagem e a incidência da luz natural e dos ventos, pautaram as decisões de projeto da dupla, titular do escritório Gebara&Filártiga Arquitetos, com sede em Florianópolis.

“O projeto para as novas unidades de hospedagem, por exemplo, incluiu telhado verde. Essa solução proporciona conforto térmico, reduzindo a necessidade de resfriamento mecânico. Além disso, retém parte da água da chuva, diminuindo o volume de água ao nível do solo. A solução ainda promove conforto acústico, reduzindo a transmissão de sons em até 40db, sem contar que estabelece a integração visual da edificação visualmente ao meio natural onde está inserida”, explica Marila.

Recursos naturais

Por se tratar de reforma, os profissionais analisaram a orientação solar e projetaram elementos que suavizassem a incidência do sol, como os prolongamentos de cobertura na fachada e a criação de coberturas novas. “Outra decisão foi reposicionar as aberturas das unidades para valorizar a ventilação cruzada, promovendo maior circulação natural do ar”, acrescenta Beto.

Na especificação de materiais e sistemas, a preocupação com a sustentabilidade também prevaleceu. Os arquitetos recomendaram piso permeável para todos os passeios e áreas de estacionamento. E sugeriram a implantação de placas fotovoltaicas para aproveitamento de energia solar e a captação e reaproveitamento da água da chuva. Marila e Beto elegeram o barrinho como revestimento externo das unidades, reduzindo o uso de cimento, de maior impacto ambiental. “Com aspecto rústico e de cores variadas, dependendo do solo utilizado, o barrinho é deixado aparente, dispensando o uso de pintura ou de outros revestimentos”, afirma Marila. Todos os materiais especificados foram de fornecedores da região, com o objetivo de reduzir o impacto com o transporte e, também, contribuir com o desenvolvimento socioeconômico da região.

Além da qualificação das unidades de hospedagem existentes, o projeto de reforma incluiu o projeto para a guarita de acesso principal, os pórticos de entrada dos salões em ripado horizontal de alumínio que garantem proteção para os dias chuvosos e integração com a vegetação abundante. Outros espaços criados foram o da “catedral”, uma nova área para o café da manhã e ambientes para eventos de pequeno porte. A intervenção demandou, também, projeto para a piscina e criação do quiosque gourmet, do escritório, da recepção e da sala de jogos.

Para o projeto da piscina, a solução apresentada foi integrar formas curvas, reproduzindo a natureza, com uma linha reta marcante paralela à linha do horizonte do mar ao lado. A ponta norte da piscina recebeu área de prainha e um spa. “Essas são as áreas de repouso da piscina, onde a continuidade da vista termina no costão do canto do Rosa Norte”, diz Beto. Como apoio à área da piscina, foi desenvolvido o projeto de um lounge com sofás e poltronas, tendo laterais e cobertura em ripado de alumínio permeados com vegetação, amenizando a incidência da luz solar.

 

Fotos: Rodrigo e Cassiana | Divulgação 

 

 

 

X
X