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Arquitetos expõem obras de arte a convite de Albertina Prates no MASC

A poesia da vida e a longevidade do planeta são os temas centrais de A PELE, exposição da artista Albertina Prates que marca a comemoração de 68 anos do MASC – Museu de Arte de Santa Catarina, no Centro Integrado de Cultura, em Florianópolis. Os sete ambientes do Museu estão ocupados com obras de arte em torno do tema. Telas gigantes, instalações e intervenções feitas pela artista têm, como matéria-prima, materiais como argila, carvão, pedras, metal, fotografias. A exposição encerra no dia 16 de abril. Ao final, todas as obras da sala Floresta serão ofertadas em um leilão on-line, com renda revertida para a ONG Casa da Criança, que atende 110 crianças e adolescentes em Florianópolis.

Para a intervenção Floresta, Albertina Prates, também curadora de toda a exposição, convidou profissionais de diversas áreas, como artistas, cineastas, fotógrafos, entre outros. Dentre os 40 convidados estão os arquitetos Roberto Rita, Nelson Teixeira Netto e Francine Faraco. Rô Rita e Nelson já têm carreira artística consolidada, na escultura e na pintura, respectivamente. Para Francine, o convite foi uma surpresa. “Foi inusitado e, ao mesmo tempo, desafiador, numa mistura de sentimentos: surpresa, entusiasmo, orgulho e preocupação, em atender as expectativas”, confessa. Ela conta que sempre gostou de se ‘aventurar’ em outras áreas e enfrentou o desafio, com determinação.

A ‘encomenda’ de Albertina Prates era a criação de uma árvore na cor vermelha e, no lugar das folhas, deveriam expressar suas referências de vida e profissão. “E assim começou meu processo criativo. Na minha profissão, vejo a casa como nossa segunda pele, a que nos recebe, protege, acolhe. Então, a casa seria o partido”, revela Francine. Considerando o crescimento urbanístico desordenado, com a multiplicação de ‘segundas peles’ e relação delas com a natureza, Francine escolheu representar uma favela em sua obra, batizada de ‘Favela Enraizada’. “Esta árvore teria raízes em solo precioso, em contraponto, determinando a inversão de valores atuais. Para representar o solo luxuoso, trouxe a forma da mesa Lustro que desenvolvi como designer e que foi selecionada para expor em Firenze pela querida Regina Nobrez, quem nos apresentou”, detalha. Sem qualquer experiência em artes plásticas, Francine apostou na criatividade e em suas ‘ferramentas’ de trabalho para executar a obra. “Procurei trabalhar um desenho plano, usando linhas retas, como em projetos arquitetônicos, representadas em nanquim com as cores em efeito aquarelado. Programas gráficos auxiliaram na reprodução do desenho e do que pretendia transmitir”, descreve.

A pele como expressão do sagrado

A pele humana (doada espontaneamente à artista por pessoas que foram submetidas a intervenções cirúrgicas eletivas) é um aspecto inovador na arte da catarinense, natural de Criciúma. Exemplares de pele humana saudáveis, previamente preparados por laboratório, poderão ser observadas micro e macroscopicamente. Parte de um cenário poético, o conjunto de pequenos pedaços do maior órgão do nosso corpo coloca o público frente a frente com lado mágico e inexplorado da pele humana. “A pele que me circunda, me delimita, me protege é um sensor físico com o externo como ponte de intercâmbio entre as realidades interior e exterior. Na exposição ela é mostrada como realmente é: sagrada, assim como é a terra, toda a flora e fauna que cobre nosso planeta”, afirma Albertina Prates. As peças estarão expostas em mobiliário especialmente desenvolvido para o armazenamento e exibição.

A cineasta Mara Salla assina a montagem de uma série de curtas, de criação coletiva e direção de Maiko Prates, sobre os bastidores da exposição, com depoimentos da artista. Eles estão sendo exibidos permanentemente em um espaço de projeção. Clique aqui e assista ao teaser.

Fotos: Volo Filmes e Fotografia | Divulgação

 

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