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Arquitetos e urbanistas criam rede nacional para contribuir diante da pandemia de coronovírus

“Este grupo nasce como iniciativa de pensar e produzir soluções emergenciais para equidade social e espacial dos espaços periféricos diante a pandemia de COVID-19. Somos uma rede autônoma de pessoas, e cabe a esta rede definir seus princípios e objetivos, tendo como diretriz principal, neste momento, a luta e mobilização pelo desejo da vida em meio a urgência”. Essa é a mensagem de apresentação do grupo Urbanistas contra o Corona, uma rede de âmbito nacional criada por um grupo de profissionais do Rio de Janeiro (RJ) inicialmente com um grupo de conversa no aplicativo WhatsApp e que também reúne informações em um blog. 

Na rede estão, em sua maioria, arquitetos e urbanistas, mas integra, também, estudantes, militantes de movimentos sociais e representantes de instituições e de entidades do setor de diversas cidades brasileiras. O pontapé inicial foi o lançamento de uma Carta Aberta no dia 18 de março que traz a apresentação da rede e as frentes de ação delimitadas, planejadas sob as diretrizes de Conscientização: trabalhar com constância para chamar a atenção para essa realidade; e Planejamento e construção: preparar os territórios para novas situações como a que estamos enfrentando. As frentes de ação foram delimitadas em emergencial, médio prazo e longo prazo.  Clique aqui para acessar o documento na íntegra. Um mapa colaborativo, publicado no blog, reúne informações sobre as redes de urbanistas, coletivos, voluntários e pontos de vulnerabilidade em cada estado.

Outros documentos foram criados para melhor orientação a respeito das medidas:

CIRCULAR Nº 001 – RECOMENDAÇÕES URGENTES

CIRCULAR Nº 002 – AÇÕES EMERGENCIAIS PARA TRIAGEM E HOSPITAL

 

Redes estaduais

A iniciativa logo conquistou adeptos em todo o país e centenas de pessoas passaram a integrar o grupo nacional. Nos dias seguintes, grupos estaduais foram criados, vinculados ou inspirados nessa rede nacional, com ações mais específicas considerando a realidade local. Com diferentes frentes de ação, a prioridade, nesta primeira fase, é o levantamento de informações para abastecimento do mapa colaborativo.

As iniciativas envolvem o mapeamento da infraestrutura emergencial existente, com a localização de pontos de interesse como hospitais, postos de saúde etc. E, também, o mapeamento de locais que agora não estão sendo usados e poderiam ser transformados em locais de atendimento ou casas de isolamento (ginásios, escolas, centros comunitários). Outra ação é o mapeamento de espaços livres para a construção de postos avançados dentro dos territórios (para instalação de cozinha comunitária, ponto de entrega de alimentos, postos de vacinação). E o estímulo ao compartilhamento de iniciativas e resultados que estão acontecendo em todo o país que possam ser replicadas em outras cidades.

Na região Sul, estão formalizados os seguintes grupos:

Santa Catarina
Grupo de WhatsApp – Clique aqui 
Mapear comunidades:
Informe comunidades que precisam de ajuda. Se conhecer lideranças comunitárias, envie diretamente o formulário de comunidades para eles e, se necessário, ajude a preencher. Clique aqui 
Identificar potenciais doadores, voluntários e fontes de recurso para alívio às comunidades:
Seja um voluntário doando itens, tempo ou seus talentos. Clique aqui
Informe iniciativas:
Pesquisar e cadastrar as iniciativas, grupos, empresas e instituições que já estão mobilizados ou dispostos para fazer doações. Clique aqui.
Para organização, o CAU/SC criou uma planilha com as tarefas. A pessoa indica o que deseja fazer para que as ações possam ser coordenadas.  Clique aqui

Em Santa Catarina, a iniciativa conta com o apoio do CAU/SC, do Sindicado dos Arquitetos de Santa Catarina (SASC) e do IAB-SC.

Rio Grande do Sul
Grupo de WhatsApp – http://abre.ai/urbanistasxcorona_rs
Para comunidades e lideranças –  http://abre.ai/urbanismo_covid19_rs
Para doadores e voluntários – http://abre.ai/urb-rs-doacoes

No Rio Grande do Sul, a inciativa conta com o apoio do CAU/RS, do Saergs e do IAB/RS.

 

Paraná
Urbideias – Clique aqui para acessar a fanpage do grupo.

Por meio de ofício enviado ao secretário da Saúde, Beto Preto, a presidente do CAU/PR, Margareth Menezes, colocou o Conselho à disposição do Governo do Estado para contribuir no combate à pandemia do novo Coronavírus (Covid-19). No documento, destinando ao Comitê de Gestão de Crise Interinstitucional, a dirigente considerou a possível necessidade da elaboração de projetos, montagem de unidades hospitalares com adequado isolamento para atender à população, adequação e ajustes de instalações existentes ou construção de novas instalações emergenciais para atendimento e tratamento de pessoas contaminadas. “Os conceitos de arquitetura e dos sistemas de tratamento de ar devem seguir, no mínimo, as orientações para áreas de biossegurança NB2, onde os ambientes precisam priorizar uma cascata de pressões negativas em relação ao lado externo, existindo antessalas ou construções de airlocks para as proteções nas entradas e ou saídas dos ambientes potencialmente contaminados com pacientes portadores do vírus”, disse Margareth Menezes.

 

A imagem representa uma das ações emergenciais apontadas pelo grupo: utilizar os parques de estacionamento (hospitalares prioritariamente) para ampliação do sistema. “Onde não for possível fazê-lo, utilizar terrenos livres próximos. Assim, aproveita-se tanto a locação quanto às instalações de infraestrutura, isto é, serão ampliações de hospitais já consolidados na cabeça do povo”.

Matéria atualizada em 31 de março de 2020.

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