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Arquitetos debatem sobre a integração da tecnologia fotovoltaica às edificações

Os benefícios e as possibilidades do uso de sistemas fotovoltaicos nas edificações foram apresentados esta semana a arquitetos e urbanistas de Santa Catarina em um dos maiores centros de pesquisas em energia solar do país. A iniciativa foi do Grupo de Cidade e Sustentabilidade da AsBEA/SC, que promoveu o evento Arquitetura e Energia Limpa na última quarta-feira, dia 29 de agosto, em Florianópolis.

A experiência teve início no campus da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), no bairro Trindade. Lá, parte dos profissionais e estudantes participantes embarcaram no eBus, o primeiro ônibus elétrico alimentado por energia solar do Brasil, desenvolvido pelo Centro de Pesquisa Estratégica em Energia Solar da UFSC (Grupo Fotovoltaica/UFSC). Lançado em dezembro de 2016, o veículo realiza o transporte regular de pesquisadores entre o Campus Trindade e a sede do laboratório Fotovoltaica/UFSC, no parque tecnológico Sapiens Parque, localizado no bairro Canasvieiras, a 52 quilômetros de distância. “A ideia do evento foi incentivar a integração da energia fotovoltaica na arquitetura e, também, abordar um pouco a questão da mobilidade, do uso do transporte coletivo e dos veículos elétricos”, explica a arquiteta Maria Andrea Triana, coordenadora do GT de Cidade e Sustentabilidade da AsBEA/SC.

No Sapiens Parque, a arquiteta Clarissa Debiazi Zomer, mestre e doutora em Engenharia Civil pela UFSC, recebeu o grupo para a palestra ‘Tecnologia Fotovoltaica e Arquitetura : integração ideal para a geração energética em centros urbanos’. Pesquisadora do Fotovoltaica UFSC, Clarissa apresentou os benefícios e os desafios da integração, com base nos estudos que realizou para a sua tese ‘Método de estimativa da influência do sombreamento parcial na geração energética de sistemas solares fotovoltaicos integrados em edificações’, em 2014. Clique aqui e acesse.

“Com a crescente aceitação dos arquitetos e projetistas em inserir em suas obras elementos fotovoltaicos, a tendência é que novas formas de integração comecem a surgir. Os módulos podem estar integrados nas coberturas, integrados nas fachadas ou podem substituir elementos de sombreamento (brises). Existem diversos modelos e tecnologias de módulos fotovoltaicos que permitem um amplo número de opções para os projetistas”, descreveu ela em seu trabalho.

Dentre as barreiras para uma maior utilização de módulos fotovoltaicos integrados a edificações, a pesquisadora cita a disponibilidade de irradiação solar em meio urbano devido ao sombreamento decorrente do entorno imediato, a falta de conhecimento específico sobre energia solar fotovoltaica, a dificuldade dos projetistas em lidar com situações diferentes das consideradas ideais e o cuidado que os projetistas precisam ter ao inserir estes novos elementos em arquiteturas existentes, de modo a não entrar em conflito estético com o que já existia, mas sim, valorizar o conjunto.

Edifícios solares fotovoltaicos

O foco principal  dos estudos realizados pelo grupo Fotovoltaica/UFSC está em sistemas fotovoltaicos integrados ao entorno construído e interligados à rede elétrica pública, os chamados Edifícios Solares Fotovoltaicos.

Os Edifícios Solares Fotovoltaicos integram, à sua fachada e/ou cobertura, módulos solares que geram, de forma descentralizada e junto ao ponto de consumo, energia elétrica pela conversão direta da luz do sol e servem, ao mesmo tempo, como material de revestimento destas fachadas e coberturas. Sistemas deste tipo injetam na rede elétrica pública qualquer excedente de energia gerado e, por outro lado, utilizam a rede elétrica como backup quando a quantidade de energia gerada não é suficiente para atender a instalação consumidora.

Os pesquisadores acreditam que, nas próximas décadas, milhares de habitantes de centros urbanos em todo o mundo irão utilizar esta que é uma das mais elegantes formas de geração de energia elétrica. E argumentam que, sem peças móveis, de manutenção mínima, sem produzir ruído ou qualquer tipo de poluição e utilizando a energia praticamente inesgotável do sol, os Edifícios Solares Fotovoltaicos vão crescer em importância e aplicação em todo o mundo.

Sobre o eBus

O Ônibus Elétrico Alimentado por Energia Solar da UFSC é um ambiente de trabalho, com poltronas confortáveis (somente transporta passageiros sentados), duas mesas de reunião, tomadas 220V e USB, ar-condicionado e wi-fi. Ele realiza cinco viagens por dia, rodando em torno de 5.000 km/mês, totalmente alimentado pela eletricidade solar gerada nas coberturas do Centro de Pesquisa e Capacitação em Energia Solar da UFSC no Sapiens Parque. Clique e assista ao vídeo sobre o eBus.

O projeto do eBus é coordenado pelo professor Ricardo Rüther, engenheiro metalúrgico, phD em Sistemas Solares Fotovoltaicos, Diretor Técnico do Instituto para o Desenvolvimento das Energias Alternativas na América Latina (IDEAL), coordenador do laboratório Fotovoltaica/UFSC. E contou com financiamento de um 1 milhão de reais pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI, atual MCTIC) e com a parceria das empresas WEG, Marcopolo, Mercedes e Eletra. Em paralelo, está sendo desenvolvido um aplicativo que permitirá à comunidade acadêmica da UFSC reservar acento no ônibus por meio de seu telefone celular.

 

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Fotos: divulgação

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