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Arquitetos catarinenses Juliana Pippi e Marcelo Salum estreiam na CASACOR São Paulo. Confira os ambientes

Os arquitetos catarinenses Juliana Pippi e Marcelo Salum estreiam na CASACOR São Paulo, a maior mostra do país, que abre as portas ao público nesta terça-feira, dia 22 de maio, no Jockey Club de São Paulo. Já veteranos em mostras da franquia em Santa Catarina, eles marcam presença na edição paulista com ambientes conceituais, carregados de significados, fruto de muita pesquisa e dedicação. Juliana Pippi criou uma sala íntima que convida à desaceleração, enaltece o ‘slow design’ e valoriza criações autorais, em arte e design. Marcelo Salum projetou um loft como uma homenagem à capital paulista, que acolhe tantos brasileiros, em um espaço repleto de obras de arte. Destaque para o tom de verde predominante. “É como um pedido de mais oxigênio para essa cidade”, argumenta o profissional.

Nesta 32a edição, a CASACOR São Paulo apresenta 82 ambientes sob o tema ‘Casa Viva’, entre casas, lofts, lounges, salas, banheiros, estúdios e apartamentos. Da região Sul, lá também estão a dupla Moacir Schmitt Jr e Salvio Moraes Jr, do estúdio CASADesign, de Balneário Camboriú, que participa pela terceira vez da mostra paulista, apresentando a ‘Casa Dezesseis’, uma casa completa de 160 metros quadrados; e a arquiteta gaúcha Lídia Maciel, que está em sua segunda participação, com a ‘Casa Linea’, de 130 metros quadrados. Apresentaremos tudo sobre esses dois ambientes por aqui também.

Confira, a seguir, todos os detalhes dos ambientes de estreia de Juliana Pippi e de Marcelo Salum.

 

Sala íntima Toki, por Juliana Pippi

“És um senhor tão bonito/Quanto a cara do meu filho/ Tempo, tempo, tempo, tempo…/ És um dos deuses mais lindos.” Os versos de Caetano Veloso em sua “Oração ao Tempo” embalaram a verve criativa da arquiteta catarinense Juliana Pippi para criação do ambiente que marca a sua estreia na maior mostra do país. Na sala intimista projetada, batizada de ‘Toki – Um Mergulho no meu Tempo’, Juliana procurou materializar a reconexão com o tempo, com uma leitura panorâmica tanto do tempo enquanto passagem cronológica, quanto da metáfora de seu aproveitamento e da angústia pela sua falta. “São Paulo, que é um dos maiores estandartes da vida apressada na megalópole, para mim, enquanto forasteira, é o contrário: uma desaceleração. Venho sempre para cá para dar uma pausa, me abastecer de referências e absorver as novidades culturais”, diz.
Para tanto, imaginou um pequeno cubo de 40 metros quadrados como zona de contenção, calmaria, equilíbrio e recarga, onde leveza e frescor imprimem as maiores notas por meio de paleta suave, tons esmaecidos, texturas aconchegantes e um forte apelo craft na seleção de superfícies e acessórios.
As paredes, por exemplo, se harmonizam entre a composição da cerâmica assinada pela artista Hideko Honma para a Portobello, as áreas de lona crua, e os encapsulamentos com telas bem fininhas em performance quase de papel-arroz, vendendo a ideia de flutuação desde o piso em mood sépia até alcançar o teto em carvalho estonado, levemente rosado, de onde pende uma escultura deslumbrante da artista Clara Fernandes.
Entre ampulhetas e composições de arranjos naturais, a seleção do mobiliário e dos acessórios também confronta timings diferentes, numa narrativa cheia de lógica para a arquiteta que também é musicista e apostou nos versos de Arnaldo Antunes para a trilha: “Será que a cabeça tem o mesmo tempo que a mão? O tempo do pensamento, da ação?”. Assim, o dito ‘slow design’, em peças desenvolvidas ou customizadas especialmente para seu espaço, ofício que demanda longos períodos de feitura entre os dedos (como o banco e a cestaria de Inês Schertel, a luminária de Ana Neute, o banco e os painéis de Domingos Tótora), faz match com o high design em escalas industriais, com seus prazos mais objetivos em previsões instantâneas (visto nas criações de Jader Almeida para a Sollos Brasil, além das peças para a Saccaro e Dpot Objetos).
Nessa mistura fina, a arte também abarca saberes atemporais. As meticulosas casinhas de mármore do escultor Dan Fialdini, nas versões suspensa e de mesa, arrematam o cenário de fotografias (para Juliana, “a arte do tempo congelado”) assinadas por Denilson Machado, Kiolo e Felipe Morozini, além do trabalho de Walmor Corrêa.
Entre transparências e furtacores, o ponto de exclamação é o sofá, que ganhou índigo em tie-dye, técnica oriental milenar (também conhecida como shibori no Japão) que descolore os tecidos em manchas abstratas. E, para acentuar essa autoria handmade, a própria Juliana desenhou o tapete em tear, executado pela By Kamy, quase como um manifesto das reconexões com a casa, com a vida e consigo próprio, de dentro para fora e de fora para dentro. “Todo o layout é voltado para a janela, para descansar a vista e direcionar o olhar para o mundo – e para o tempo – que nos espera”, finaliza, evocando outro verso “caetânico”: “Peço-te o prazer legítimo e o movimento preciso, quando o tempo for propício/Apenas contigo e comigo/Tempo, tempo, tempo, tempo”.

Loft ‘Alguma coisa acontece no meu coração…’, por Marcelo Salum

O catarinense Marcelo Salum participa pela primeira vez da edição paulistana da CASACOR apresentando um loft, com cerca de 60m², que batizou de ‘Alguma coisa acontece no meu coração…’: “Estamos pedindo licença para entrar nessa grande e poderosa metrópole e usamos o alterego do nosso escritório para criar o conceito”, explica o profissional.

Em sua sutil homenagem à cidade que recebe e acolhe tantos brasileiros, Salum pensou em um espaço multiuso, que aproveita a arquitetura da área. Assim, uma enorme escada, já existente, sugere a entrada de um banheiro, onde o artista plástico Juliano Aguiar criou uma instalação especial, composta por relicários de objetos pessoais e telas dos personagens que habitam o espaço. No total são 15 obras que formam uma só!  A pequena copa é completada por uma grande e versátil mesa, onde são feitas as refeições e ainda é estação de trabalho. No outro ambiente, uma sala de estar com um canto verde e duas camas de solteiro.

E, como é característica de seu trabalho, Salum aposta muito nos detalhes. Tecidos foram bordados com trechos de músicas de Chico Buarque e Caetano Veloso: “isso sugere que os moradores habitam uma cidade como São Paulo”, define o arquiteto. Ele diz ainda que a escolha das cores também seguiu essa lógica: tons de cinza predominam pelo espaço, enquanto metade das paredes e o teto ganharam um tom de verde: “É como um pedido de mais oxigênio para essa cidade”. 

Além da instalação de Juliano Aguiar, Salum combina obras de outros artistas, mesclando nomes já consagrados com uma nova geração: Zans, Ana Sabiá, Paulo Gaiad, Paulo Greuel, Rubens Oestroem, Schwanke, Yuri Seródio: “é um pouco do lugar que essa equipe compartilha com intimidade os sentimentos de viver nessa imensa estrutura urbana”, ressalta.

(com informações da assessoria de imprensa dos arquitetos catarinenses: A CASAA – Comunicação)