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Projetos

A essência como prioridade em projeto na Serra Gaúcha

Em Cambará do Sul, uma hospedaria oferece o privilégio de um refúgio na Serra Gaúcha associado à experiência de habitar um container. Trata-se do Cambará Container, empreendimento criado por uma empresária especialmente para oferecer hospedagem via aplicativo Airbnb. O projeto arquitetônico e executivo, desenvolvido em 2019, é assinado pelos arquitetos Saymon Dall Alba e Mégui Dal Bó, ambos com escritórios em Caxias do Sul (RS).

Na definição do método construtivo, a dupla considerou as diversas vantagens da construção modular industrializada, incluindo a possibilidade de transportar as edificações para outro terreno de forma rápida e sem agressões ao meio onde atualmente estão inseridas. Assim, a partir da necessidade de construção de duas unidades de habitação temporária, eles adotaram dois containers, de 20 pés cada, unidos paralelamente, totalizando 34 metros quadrados de área em cada conjunto.

A decisão pelo uso do container considerou a utilização de materiais ecologicamente corretos, a economia de recursos naturais, o menor tempo de execução de obra e a preservação do perfil natural do terreno. “Além disso, a redução de recursos da obra como água, areia, cascalho, cimento, tijolo e ferro, significa uma economia de recursos naturais, deixando o canteiro de obras limpo e não gerando entulhos e sobras de material”, complementa Saymon. Segundo ele, obteve-se uma economia considerável no custo das fundações e no impacto destas no perfil do terreno, já que a estrutura metálica leve possibilitou o uso de sapatas isoladas e pequenas, sem necessidade de armação e ferragens.

Esta foi a primeira vez que os arquitetos desenvolveram um projeto em container. “E nos surpreendemos com a execução do projeto, de forma rápida e limpa. O sistema OffSide (construção fora do terreno) possibilita que muito da obra seja adiantada em pavilhões das empresas especializadas em projetos em container e quando eles chegam no terreno já possuem toda parte de aberturas e estrutura para paredes de gesso, otimizando o tempo de obra”, explica Saymon. Além de Saymon e Mégui, a equipe do projeto foi composta pelos arquitetos Bárbara Fernandes Dall Alba, David Thomas Simpson e Angélica Ravizzoni Veronese e da acadêmica de arquitetura Amanda Marcolin.

Valorização da sustentabilidade da paisagem

A equipe partiu do conceito de uma Tiny House, tendência de viver em casas bem pequenas, somente com o mínimo necessário. “Dentro de uma cultura que mescla desapego, sustentabilidade, menor geração de resíduos e um freio no consumismo exacerbado, os containers seguem a ideia de mini habitações, onde o hóspede possui toda comodidade e tecnologia em um espaço reduzido”, argumenta Mégui.

Assim, planejaram um espaço totalmente integrado, com cozinha compacta, que conta com frigobar, cooktop, forno elétrico, cafeteira e demais eletrodomésticos, e mesa de refeições com quatro lugares, executada em madeira natural com pés de serralheria. O ambiente da TV e lareira conta com sofá-cama fazendo divisa com a cama de casal.

As premissas do projeto foram de ser um refúgio em que o hóspede usufruísse da melhor vista dos campos. Por isso, grandes aberturas em locais estratégicos criam molduras na paisagem. O grande vão envidraçado se abre para a varanda, um avanço na estrutura criado com as portas originais dos containers e um deck de concreto pré-moldado. Estes vãos receberam esquadrias em alumínio preto e persianas horizontais, que funcionam como brises ao regular a entrada de luz natural. A iluminação artificial foi desenvolvida a partir do uso de eletrocalhas metálicas com spots e lâmpadas LED PAR20, criando efeitos cênicos e evidenciando o papel de parede de tijolo rústico e as esculturas de madeira natural nas paredes. O piso original, de compensado naval, foi mantido, lixado e envernizado.  Nas áreas da cozinha, banheiro e da lareira foram utilizados porcelanatos.

Como o teto dos containers ficou aparente, acima dele foi aplicada uma camada de poliuretano expandido, para impermeabilização e para garantir conforto térmico e acústico. O teto recebeu, também, uma camada de 10 centímetros de concreto e por final, grama sintética, criando, assim, um terraço que pode ser acessado por uma escada marinheiro. O acesso principal possui um recuo e se dá por uma porta original de container.
Considerando que a cidade costuma registrar baixíssimas temperaturas durante o inverno, o projeto previu lareira a lenha, ar condicionado e aquecedor a gás, para agregar mais conforto aos hóspedes.

 

Principais fornecedores: Lizt Decor, Inovare Persianas, Persol Persianas, CasaSerra Acabamentos, Serralheria Arca de Noé e Giacomet Aquecimento.

Fotografia: Guilherme Jordani | Divulgação

 

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