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A questão é polêmica no mercado. O aumento da demanda e a conseqüente proliferação de empresas do setor fortaleceram o ingresso de profissionais de diferentes formações na área. Entidades defendem a regulamentação da profissão de paisagista de forma independente. Entretanto, de acordo com o Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea), compete ao arquiteto o desempenho das atividades relacionadas à arquitetura paisagística, abrangendo desde o estudo, o planejamento, o projeto, o ensino, a pesquisa, a fiscalização, até a condução de equipe, execução de instalação e manutenção de equipamento, conforme estabelecido na resolução n0 218, de 29 de junho de 1973.
“Paisagismo é uma atividade de ‘concepção arquitetônica do espaço interno e/ou externo das edificações que compõe o conjunto de escalas que o ser humano percebe com seus sentidos’, ou seja, é arquitetura pura. Somente o arquiteto tem atribuição e competência para elaborar projetos de paisagismo”, defende o presidente da seccional catarinense do Instituto Brasileiro de Arquitetos (IAB-SC), Jorge Raineski. Para ele, “o amadorismo impera e desespera a sociedade pelos péssimos resultados”, referindo-se à atuação de leigos na área. O presidente do IAB-SC admite, entretanto, que nada impede que o paisagismo seja resultado de uma equipe técnica multidisciplinar. “Principalmente quando envolve conhecimento sobre vegetação, que é especialidade de outra profissão. Mas o arquiteto tem autoridade sobre a criação, preservação, restauro ou mudança da paisagem”, enfatiza.
Há oito anos atuando na área, à frente da Jardim & Afins, em Florianópolis, a arquiteta Juliana Castro, avalia que a questão se baseia em aspectos sociais, culturais e até econômicos. “Pouca gente contrata arquiteto para fazer a casa, quanto mais paisagismo”, sentencia. Segundo ela, seus clientes são pessoas que viajam muito, principalmente para o exterior, e que têm muito acesso à informação. “As possibilidades de trabalho aumentaram muito entre estes clientes mais exigentes e, também, entre as construtoras, que enxergam os jardins dos empreendimentos como diferenciais de vendas”, conta Juliana.
A formação técnica do arquiteto é imprescindível para este tipo de projeto, na opinião das arquitetas paisagistas Mariana Regis e Louise Riedtmann. “Um arquiteto paisagista irá desenvolver um estudo minucioso dos elementos construtivos, fauna e flora de entorno, posição solar, ventos, geografia do terreno e tipo solo”. Segundo elas, juntamente com o proprietário, o profissional irá desenvolver um programa de necessidades, incluindo os possíveis efeitos de moldura – maciço, renque, teto, direcionamento –, e combinações de sensações – sombreamento, cheiros, sons, floração, frutificação – , além das opções de decks, esculturas, cascatas, piscinas, mobiliário externo e iluminação cenográfica, por exemplo. “Local avaliado e programa de necessidades elaborado, o arquiteto irá desenvolver um planejamento racional de implantação de elementos paisagísticos que atenda aos desejos do proprietário e que esteja adequado às características de cada área”, acrescentam as sócias da Harmonia Verde, de Florianópolis.
Já Juliana, considerada um dos expoentes da nova geração de arquitetos paisagistas do Estado, não considera um problema a atuação de profissionais de outras áreas no paisagismo. “Quando comecei neste mercado eu me preocupava, mas, depois, concluí que quem nos procura busca um diferencial. O que eu faço, um agrônomo não faz”, enfatiza. A arquiteta destaca que a vegetação, nestes casos, é apenas mais um elemento a ser considerado, assim como a iluminação e as estruturas a serem construídas, por exemplo. “Para projetar grandes espaços, – já fizemos de 30 mil m2 –,profissional de outra área não conseguiria porque não tem noção de espaço, não tem divisão de escala”, completa. Considera-se, ainda, que profissional de outra habilitação não poderia projetar pergolados, piscinas ou outras estruturas construtivas, por exemplo, por ser uma atribuição exclusiva de arquitetos.
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