Ateliê

Este ano marca o centenário de nascimento de Franklin Joaquim Cascaes, uma das maiores expressões da cultura da Ilha de Santa Catarina. Escritor, pesquisador, folclorista, ecologista e artista plástico, teve no folclore, na lenda e nas superstições locais suas grandes inspirações, frutos de uma extensa pesquisa feita por toda Florianópolis. Na infância gostava de rabiscar desenhos usando carvão e de moldar bonecos de cerâmica feitos nas olarias, a maioria alusiva às imagens de santos dos altares das igrejas que freqüentava. E foi aos 20 anos que teve seu talento descoberto, durante a celebração de uma Semana Santa ba Oraua de Itaguaçu, onde nascera. Algumas de suas esculturas que integraram uma série sobre a Via Sacra encantaram o professor e escultor paulista Cid da Rocha Amaral. Duas décadas depois, com a ‘modernidade e o progresso’ influenciando a classe artística, “Seo Francolino”, como era conhecido entre os pescadores, seguia na contramão e partia para a retomada da tradição secular da região: resgatou histórias e estórias e registrou as tradições, usos e costumes do povo ilhéu nas mais diversas expressões artísticas. No processo de criação dos presépios, feitos com as folhas da piteira, montados sob a lendária figueira da Praça 15 de Novembro, na Capital, Cascaes demonstrou que fazia o possível pela preservação da identidade local: ‘Tive que recriar o Barroco para poder representar as pessoas do interior da ilha”. Franklin Cascaes faleceu em 1983, deixando um legado de milhares de trabalhos, entre escritos e de artes plásticas.