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Cerâmica
Para Christiane Ferreira, coordenadora de gestão de marca da Portobello, as tendências originam-se nos comportamentos do consumidor que são inspirados na arte. “Achamos que os artistas são pessoas que apontam direções, que estão sempre um pouco à frente da moda. Baseadas nesses formadores de opinião, as pessoas nas ruas inventam coisas e também apontam caminhos na maneira de morar”, diz ela.
Sobre as tendências do setor cerâmico em 2008, Christiane lembra que algumas novidades foram antecipadas na Cersaie, a Feira Internacional da Cerâmica que ocorreu em Bolonha em outubro do ano passado. “Podemos destacar a madeira em preto e branco, um up-grade da linha Ecowood (cerâmica com aspecto e textura de madeira) com a cor Ébano (preto) que se combina com o branco de uma forma incrível. Outra novidade é a Linha Walking, um porcelanato técnico em grande formato, onde o preto e branco é interpretado em texturas com efeitos em metal”, descreve.
E a volta dos papéis de parede, eles não ameaçam o mercado das cerâmicas? Para a executiva, trata-se, na verdade, de uma grande oportunidade para a indústria.”Os revestimentos cerâmicos também interpretam esse conceito e começam a ser utilizados em ambientes inusitados da casa como as paredes da sala, do quarto, etc. Hoje em dia, há uma pluralidade de usos e também de materiais que não restringem o mercado, ao contrário, abrem oportunidades”, acredita.
Cores
Como tem acontecido nos últimos anos, as cores também seguem uma tendência mundial. No Brasil, indústria e arquitetos precisam estar atentos às mudanças do design, principalmente no que acontece na Itália. Para a arquiteta e pesquisadora paulistana Márcia Lazzarin, essa análise deve ser ‘filtrada’ pela cultura brasileira, pelo estilo do nosso povo.
Outra determinante para a predominância de certos tons é a absorção, no Brasil, de técnicas orientais como o Feng Shui, na Arquitetura, e a Acupuntura, na Medicina. E isso se reflete também na escolha da cor. “Cores em voga, como amarelo, vermelho e anil, estão intimamente ligadas ao Oriente”, observa.
Para Márcia, uma cor não sai de moda, mas sim cai em desuso pelo cansaço visual que proporciona no decorrer de sua utilização. “A moda, neste caso, passa rapidamente. Há uma tendência, para 2008, que vem a reboque da tecnologia das máquinas tintométricas. São dezenas de nuances de verde, por exemplo. Haverá também muito azul, amarelo, areia, vermelho, laranja, cores que remetem à natureza. Isso sem falar nas fibras naturais em parede viva, com vegetação mesmo”, opina.
Os consumidores dispõem hoje de catálogos hiperdiversificados, sites e programas de simuladores em que se encontram cores análogas e complementares, escolhidas ou descartadas de acordo com o perfil, estilo do ambiente e do cliente em questão.
Iluminação
Difícil falar sobre tendência no ramo da iluminação sem mencionar a preocupação da indústria com a criação de produtos em linha com os preceitos da sustentabilidade. Economia de energia, no que se refere à iluminação, não é um tema recente. Desde a década de 1980, quando eram lançadas as primeiras lâmpadas economizadoras, este debate é freqüente.
Para o lighting designer Plinio Godoy, o acesso a essa tecnologia “de economia” tornou-se viável. “Estamos alcançando uma escala tal que já nos permitiu a criação de sistemas de iluminação ditos “economizadores”. Nas residências, o uso de lâmpadas desse tipo de sistema já é uma realidade, impulsionado pelo fator ‘apagão’ quando a lâmpada incandescente passou a ser a vilã e a fluorescente compacta, a salvadora”, lembra. O fato é que novas lâmpadas levam a indústria a desenvolver novas luminárias e, conseqüentemente, novos conceitos. Esse investimento em design, ou seja, essa busca pela criação de formas e soluções para esses novos equipamentos, é o que estabelece novas tendências.
Plinio aposta no que ele chama de ‘não-iluminação’ e explica: “a miniaturização dos sistemas e a minimização estética das soluções são tendências fortes, principalmente no mercado residencial e comercial. Estamos vivendo um período onde há uma nova fonte de luz, o LED (Light Emitting Diode), que é um grande catalizador de novas experiências”. No campo estético, aponta a difusão cada vez maior do uso de tecnologias de injeção e extrusão de alumínio. “As técnicas do repuxo e dobra, tão tradicionais na indústria brasileira, estão com seus dias contados”, avalia.
Internacionalmente, os fabricantes, principalmente europeus, investem muito dinheiro no desenvolvimento de novas tecnologias, novos materiais, utilizando as fontes existentes e recentes de maneira inusitada, eficiente e criativa. Para Plínio, o sucesso de vendas em 2008 dependerá cada vez mais da qualidade e da diferenciação para que possa ser atingido o mercado do topo da pirâmide, aquele que consome peças de alto valor agregado.
Leia o resto dessa matéria na versão impressa da Revista Área - Edição de janeiro.

