|
|
|
|
|
APESAR DE NÃO CONTAR com uma grande obra de Oscar Niemeyer, como outros estados, Santa Catarina possui algumas marcas do mestre. O único exemplo edificado está no Lagoa Iate Clube (LIC), em Florianópolis, para o qual o arquiteto desenvolveu amplo projeto em 1967. Entretanto, do traçado original - que previa administração, vestuário, trapiche, piscinas, restaurante, capela e espelho d´água - pouco restou após as diversas intervenções executadas pelas várias diretorias que passaram pela associação ao longo dos anos. Hoje, algo de Niemeyer pode ser percebido apenas no salão principal e na piscina, que foi parcialmente coberta para atender as necessidades do clube.
Das mãos de Niemeyer também saíram os projetos da Biblioteca Pública Estadual de Florianópolis, em 1958, e de um marco comemorativo em Itajaí, ambos não executados, de acordo com o Centro de Documentação e Pesquisa da Fundação Oscar Niemeyer. O último, tratava-se de um monumento em bloco de concreto com representação do mapa do Brasil, que traria o registro da seguinte frase sugerida por Niemeyer: “Foi aqui, no dia 5 de abril de 1955, que o presidente Juscelino Kubitschek assumiu pela primeira vez o compromisso de construir a nova capital deste país”.
O grande destaque de Niemeyer no Estado, porém, deverá ficar por conta da construção da nova sede da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, em Joinville - o Complexo Cultural Bolshoi-Brasil, em fase de captação de recursos. O projeto foi desenvolvido em 2001 e prevê cerca de 31 mil m_ de área construída, com capacidade para abrigar a Escola, um Teatro e, ainda, um edifício de moradias envolvido pelos 500 mil m_ de floresta do Parque Morro do Boa Vista. “É bem diferente de tudo o que já fiz. É um projeto complexo, importante para o Brasil; não só por sua arquitetura, mas por sua finalidade e por ser voltado aos jovens”, explica o arquiteto em matéria publicada no jornal Folha de São Paulo, em 4 de dezembro de 2003. Instalada em Joinville desde março de 2000, a escola é a única mantida fora da Rússia pela secular companhia daquele País e oferece a 264 alunos (84% bolsistas integrais) aulas de balé, estúdios de música, ateliê, núcleo de saúde, biblioteca, cantina, espaços culturais e dois laboratórios cênicos com a missão de formar artistas-cidadãos. Niemeyer idealizou o projeto da nova sede da Escola em cerca de um mês, conforme a reportagem da Folha de São Paulo. “A construção do teatro parte de uma rampa e vai causar surpresa porque não há nenhum desse estilo no mundo”, destacou. A execução do projeto, entretanto, ainda não está entre as prioridades da instituição. De acordo com a assessoria de comunicação da Escola, a lista é encabeçada pela criação da Cia. Jovem de Ballet e pela própria manutenção da Escola, em situação estável.
Curvas inconfundíveis
O que fez de Oscar Niemeyer um referencial da arquitetura brasileira em nível internacional foi, sem dúvida, a sua ousadia e o seu estilo inconfundível. Nascido no Rio de Janeiro, foi lá que iniciou sua carreira, em 1934, ao obter o diploma de engenheiro arquiteto na Escola de Belas Artes. E foi ao lado de Lúcio Costa e de Carlos Leão que traçou seus primeiros projetos. “Não queria, como a maioria dos meus colegas, me adaptar a essa arquitetura comercial que vemos aí. E apesar das minhas dificuldades financeiras, preferi trabalhar, gratuitamente, no escritório do Lúcio Costa e Carlos Leão, onde esperava encontrar as respostas para minhas dúvidas de estudante de arquitetura. Era um favor que eles me faziam”, destaca Niemeyer no site da Fundação.
Sua paixão pelas curvas revelou-se já em 1938, ao projetar a Casa de Oswald de Andrade, em São Paulo. Na fachada, definiu um jogo inovador de curvas e retas justificado pelas diferenças de pé-direito. O que na época precisava ser explicado tornou-se o grande diferencial do arquiteto, que seguiu traçando curvas Brasil afora, como no Conjunto da Pampulha, em Belo Horizonte, projetado a convite do então prefeito Juscelino Kubitschek, em 1940. Muitas vezes, sua liberdade de formas não era compreendida, mas a “invenção arquitetural” era o que lhe interessava. Insistiu. E delineou, em 1951, as hoje famosas curvas dos conjuntos Ibirapuera e Copan, ambos em São Paulo. O fato de ser comunista e de declarar-se ateu tornava-o ainda mais incompreendido.
Leia o resto dessa matéria na versão impressa da Revista Área - Edição de janeiro.

