Revista ÁREA - Como aconteceu o convite para participar da 7ª BIA, com uma exposição exclusiva, como um dos 12 participantes do setor Exposição de Arquitetos Brasileiros Convidados?
Roberto Simon - Hoje a Bienal de Arquitetura conta com um conselho curador permanente, o COBIA, que independe da alternância das diretorias do IAB e é composto pelos arquitetos José Magalhães (coordenador da curadoria), Pedro Cury, Francisco Spadoni, João Honório de Mello Filho, Jorge Wilheim, José Luiz Tabith, Luiz Fisberg, Paulo Sophia. Estes recebem trabalhos e indicações de diversos arquitetos do Brasil e do exterior, analisam, discutem e definem os participantes. Não são poucos esses indicados.
ÁREA - A que você atribui este reconhecimento?
Simon - Creio que a criatividade é um dos pontos mais importantes do Studio Domo, e a conseqüência dela é que, associada aos aspectos técnicos, apresenta um resultado final amplificado. Penso que isso tenha pesado na decisão do COBIA. Foi uma honra ter sido convidado. Temos 25 anos de atividade profissional e uma produção bastante preocupada com a qualidade. Nossa equipe, sempre renovada, tem proposto e implantado mais e mais soluções inovadoras, sem perder nunca de vista a sustentabilidade. Somado a isso, creio que a exposição pública, advinda das participações nacionais e internacionais, tenha atraído a atenção para nosso Estado. Infelizmente sempre vimos nosso Estado ser preterido, se comparado a Paraná e ao Rio Grande do Sul, por exemplo. Uma injustiça, tendo em vista a grande quantidade de profissionais competentes que temos por aqui.
ÁREA - Você foi o único profissional de Santa Catarina convidado à expor individualmente na BIA, apresentando projetos desenvolvidos aqui. É um motivo de orgulho para os arquitetos e a arquitetura do Estado?
Simon - Não me lembro de outro colega ter sido convidado a ter uma sala especial nas bienais anteriores, mas já tivemos colegas na exposição geral de arquitetos, o que demonstra a força de nossa arquitetura. Naturalmente, o fato de ter sido selecionado para esse espaço tão relevante, é motivo de orgulho para todos nós catarinenses, e, em especial, para os arquitetos desse fabuloso Estado.
ÁREA - Estamos em pé de igualdade, em termos de volume e de qualidade de produção, em relação aos outros Estados?
Simon - Veja bem, temos arquitetos preparados e que estão, com certeza, em pé de igualdade com os profissionais dos demais Estados. Ocorre, entretanto, que o nível de investimentos e os desafios lançados são muito diferentes. É praticamente impossível compararmos estes dois elementos com estados como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul ou Paraná. Mas, volto a afirmar: os profissionais catarinenses estão preparados para qualquer desafio.
ÁREA - E quais os principais desafios da arquitetura catarinense, na sua opinião?
Simon - Santa Catarina tem a melhor distribuição demográfica do País. Não temos metrópoles, como alguns Estados brasileiros, tampouco imensas áreas sem ocupação. As cidades estão harmoniosamente distribuídas sobre o território, com renda e populações semelhantes. Entretanto, ainda temos um desequilíbrio no que se refere à distribuição profissional. Assim como São Paulo, metade dos profissionais do nosso Estado estão na Capital e a outra metade pulverizada no interior. Precisamos nos distribuir melhor. A concentração desproporcional acirra a disputa pela sobrevivência, reduz preços e, conseqüentemente, a qualidade. Temos que tomar cuidado com o que produzimos porque a população está atenta.
ÁREA - Em suas palestras, você costuma defender o resgate do “velho e bom urbanismo”. Como seria a cidade ideal neste contexto?
Simon - É verdade, tenho falado sempre que possível sobre a cidade voltada para o cidadão, para o pedestre. Este é um tema que me apaixona. O nome dado a isso não importa muito, mas podemos chamar de ‘Bom e Velho Urbanismo’, ‘Novo Urbanismo’, ‘Smart Growth’ ou, como prefiro, ‘Transit Oriented Development - TOD’. O mais importante é que não só os pequenos lugares, mas também as grandes cidades, têm se movimentado nessa nova direção. Ainda modestamente, porém, se levarmos em conta a urgência de reduzirmos os impactos provenientes da maior utilização do automóvel em detrimento de um transporte de massa mais eficiente.
Projetos com base na dita ‘qualidade de vida’ se avolumaram no pós-guerra em condomínios de baixa densidade sem as demais atividades essenciais à vida humana, de trabalho e de lazer, no chamado ’sprawl’ ou “espalhamento”. O resultado disso, hoje, é catastrófico, se pensarmos nas estradas necessárias para conectar estes condomínios a essas outras atividades, no investimento público envolvido, no combustível fóssil consumido, na poluição pelo CO2 e ácido sulfúrico resultantes, nos engarrafamentos, no estresse, obesidade e diabetes. Isso só para começar. Não quero me estender mais, pois só esse assunto já seria objeto de muita discussão. Algumas pessoas acham que esse é um movimento com formato possível em um só País. Isto é uma inverdade. Tenho colhido exemplos de muitos lugares, nos cinco continentes, e cada um contempla o seu desenho característico.
Leia o resto dessa entrevista na versão impressa da Revista Área - Edição de janeiro.

