Mãos que valem prêmios
Projeto transforma a palha do trigo em objetos de design e revela como uma boa dose de marketing associada à ousadia e ao talento de mais de 100 artesãs do Meio-Oeste catarinense mudam a realidade de comunidades distantes dos grandes centros urbanos

O USO DA PALHA DO TRIGO por artesãos do interior dos estados do sul não é novidade. Geralmente associados ou em grupos familiares, eles produzem, com talento único, cestos, bolsas, chapéus, acessórios e outros pequenos objetos de utilidade cotidiana ou feitos simplesmente para a decoração. No passado, a técnica artesanal era aplicada na confecção de sacolas usadas nas plantações de trigo, cultivo muito relacionado, por exemplo, às regiões montanhosas de Santa Catarina. Hoje, esses objetos são vendidos nas cidades próximas e suprem a demanda de turistas e consumidores a procura do caráter regional e culturalmente rico desse produtos artesanais.
Porém, mesmo com o interesse demonstrado por estes clientes, o sucesso empresarial sempre foi um desafio para as comunidades envolvidas. E foi essa dificuldade que despertou o interesse de instituições de apoio e fomento ao empreededorismo. Mãos habilidosas encontraram cérebros afiados que escrevem agora uma história diferente no Meio-Oeste catarinense. A necessidade de reinserir o artesanato no painel produtivo e de adicionar valor aos produtos confeccionados levou pesquisadores da Universidade do Oeste de Santa Catarina Unoesc (UNOESC), em 2004, a buscar alternativas que removessem as artesãs e agricultores de uma rotina que ainda refletia o baixo crescimento econômico dos últimos anos. Segundo a professora de Desenvolvimento Sustentável da Unoesc, Eliane Filippin, era preciso produzir com qualidade e criar produtos atraentes para os turistas, mas com a identidade da região. “Além disso, o projeto tinha de ser ambientalmente responsável e socialmente justo, ou seja, precisava incluir um número cada vez maior de beneficiados”, acrescenta.

Definidos os objetivos do que então ainda eram estudos da professora, novos parceiros começaram a colaborar. Os primeiros foram a Associação dos Municípios do Meio-Oeste Catarinense (Ammoc) e o Sebrae/SC. Este reuniu facilitadores e articuladores e deu início ao projeto batizado de “Tranças da Terra” que inclui aplicações de associativismo, gestão, design, capacitação técnica e tecnológica, propriedade industrial, registro de marca, marketing e comercialização de produtos.

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Design agregou valor às peças produzidas pela Associação Tranças da Terra, que também somou ferramentas de gestão de marketing ao projeto, um dos vencedores do Prêmio Finep de Inovação Tecnológica 2007