Caminhos sustentáveis
A sustentabilidade permeia todas as nossas atividades, sejam elas pessoais ou profissionais. Por isso, precisamos nos comprometer com seus preceitos

A sustentabilidade permeia todas as nossas ações, sejam elas pessoais ou profissionais. Por isso, precisamos nos tornar cidadãos comprometidos com seus preceitos. Em nossa vida laboral, como arquitetos, precisamos responder a estes desafios, pois é através da construção civil que a cidade se desenvolve. Basta lembrar que esta atividade é responsável por mais de 70% das agressões ao meio ambiente.
A AsBEA – Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura, uma entidade nacional com representação regional em Santa Catarina, criou recentemente Grupos de Trabalho em Sustentabilidade (GTS). Reunimo-nos desde a criação destes fóruns e uma das primeiras conclusões a que chegamos é que, para a sustentabilidade fazer parte de nossos projetos, devemos investir em educação continuada. A graduação não é o fim, mas o começo de uma vida profissional que deverá estar sempre em busca destes novos conhecimentos.
Acreditamos que a sustentabilidade, além de ser uma resposta às ameaças ao meio ambiente, ajuda-nos a melhor definir o caráter da região onde a edificação está inserida. É que o espaço construído que se apropria de diretrizes auto-sustentáveis irá se adequar à topografia, à orientação solar, à iluminação natural e aos ventos, considerando materiais, toxidade, capacidade de mão-de-obra, entre outros fatores de estudo. Toda esta busca nos leva a desenvolver projetos de acordo com as peculiaridades locais, o que lhes coloca em linha com as necessidades impostas pelo modelo sustentável.
Sabemos que a sustentabilidade por si só não resulta em edificações de qualidade, pois ela é apenas um dos ingredientes que, se bem usados, contribuem para a excelência de uma construção. A ela devem ser acrescidos outros conteúdos para a prática da boa arquitetura.
Somente construir com princípios sustentáveis igualmente não resulta em economia de recursos. Fatores como a vida útil desta edificação e a forma do seu uso e da sua manutenção também são aspectos significativos. É necessário focar no usuário final que deve ser instruído de sua correta utilização. Hoje já contamos com o CBCS – Conselho Brasileiro de Construção Sustentável – o que fortalece uma visão mais regional dos problemas ao evitar a simples importação de soluções estrangeiras, prática comum no Brasil.
A sustentabilidade é um terreno amplo em que a pesquisa precisa avançar. Trata-se de um processo. Não podemos dizer que uma arquitetura é sustentável e outra não, mas sim que uma arquitetura é mais sustentável que a outra.
Pensar em sustentabilidade também não representa encarecer o projeto. Pode-se começar por soluções simples como melhorar a orientação da edificação em sua implantação, valorizar a mão-de-obra e materiais locais, evitar a informalidade na construção civil, que corrói toda a cadeia de produção do setor, entre outras.
Como entidade, organizamos encontros e convidamos palestrantes com conhecimento acerca do tema e que estão mais próximos de nós. A intenção é divulgar o conhecimento já produzido e que está facilmente ao nosso alcance. Assim fazemos uma ponte entre teoria e prática. Podemos, com isso, aplicar mais rapidamente os conteúdos gerados, através das pesquisas dentro das universidades, e solicitar pesquisas em temas surgidos na prática.
Para 2008, estamos programando informativo digital que divulgue todo tipo de assunto relacionado à sustentabilidade; encontros, seminários e simpósios que divulguem resultados e fomentem a discussão do tema; criar ou apoiar cursos que promovam educação continuada aos arquitetos; e a cobrança, junto aos fornecedores de material e de mão-de-obra, de catálogos que contenham dados que possibilitem ao profissional fazer a escolha correta em seus projetos.



Ronaldo Matos Martins Arquiteto | Coordenador GTS | AsBEA-SC