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Instalado há três décadas numa cidade de forte colonização alemã, o escritório Herwig Shimizu Arquitetos tinha todos os elementos para desenvolver uma arquitetura típica. E muitos projetos até seguiram esta tendência. Porém, logo perceberam que, em um mercado competitivo e cada vez mais exigente, não se pode percorrer apenas um caminho
O SANTUÁRIO SANTA PAULINA, em Nova Trento, está entre os projetos mais expressivos do escritório Herwig Shimizu Arquitetos, comandado por Rolf Augusto Herwig e Chirochi Shimizu. Considerada a capital catarinense do turismo religioso, o pequeno município de 10 mil habitantes é o principal destino de peregrinação do Sul do País. A canonização de Santa Paulina, em 2002, e a inauguração do santuário, no ano passado, colocaram a cidade no mapa dos católicos de todo o mundo. “O caráter arquitetônico do Santuário Santa Paulina retrata a essência de sua trajetória: mulher simples, de valores sólidos e puros, e de imensa espiritualidade e bondade”, definem os autores do projeto.
A arquitetura sacra tornou-se mais um segmento de destaque no escritório blumenauense, referência em grandes e complexos projetos industriais. “Atuamos do início ao fim de nossas obras”, resume Rolf Augusto Herwig. Os serviços podem ser divididos em três áreas: projeto e coordenação geral; administração para contratação de obras; e fiscalização. Porém, segundo ele, o cliente tem liberdade de contratar apenas uma etapa ou a solução completa.
Para atender à crescente demanda, o escritório conta com 17 funcionários e uma lista de parceiros, que atendem as exigências de qualidade determinadas pela dupla. Conforme o tamanho da obra e as exigências de prazo, outros profissionais são contratados. Neste momento, a equipe está debruçada sobre projetos de duas grandes gráficas, uma em São Paulo e outra no Rio Grande do Sul. Também trabalham na ampliação da planta da Altenburg, em Blumenau, uma das maiores indústrias têxteis do Brasil ao lado da Teka, Karsten e Buettner, cujos projetos também são assinados por Herwig e Shimizu. O escritório tornou-se referência em projetos industriais, tendo atendido, ainda, Albany, Cremer, Renaux, Perdigão, TetraPak, Sulfabril e Lacta. “Hoje, os projetos industriais são, geralmente, de ampliação ou reforma”, conta Herwig. O escritório fez história em sua cidade natal, mas o maior volume de trabalho está concentrado nos estados de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. Santa Catarina é seu quarto mercado.
Simplicidade norteou o projeto do santuário
Fazendo uma releitura da arquitetura sacra tradicional, os arquitetos do Herwig Shimizu apostaram, para construção do Santuário, na simplicidade da composição da volumetria e geometria, e na solidez garantida pela escolha dos materiais. Cinco profissionais envolveram-se no projeto, que totalizou 9,6 mil m2 de área construída. “Acompanhamos todos os processos para termos certeza da qualidade do material e do cumprimento do prazo”, afirma Herwig.
O programa de necessidades desenvolveu-se integralmente sob uma cobertura modulada a cada 7,5 metros, com caimento em duas águas, elemento arquitetônico de grande magnitude. Sob a cobertura, estão abrigados três setores distintos: a nave principal, com capacidade para até 3,5 mil pessoas, as capelas e as áreas de apoio e de circulação. Para atender ao grande fluxo de pedestres e veículos, foram criados acessos por escadas e rampas.
Elementos típicos de edificações religiosas estão presentes neste projeto, como a iluminação natural zenital elevada ao centro (direcionada ao céu) e a forma ascendente da cobertura. O formato cônico da nave principal permite a visualização do altar por todos os fiéis no interior do Santuário. E para eliminar qualquer interferência visual, a solução foi erguer a estrutura principal em concreto protendido (vigas paralelas, apoiadas em pilares, vencendo um vão de 56 metros), suportando as vigas metálicas da cobertura. Nos fechamentos externos e internos, foram utilizados blocos de concreto (lisos, com pintura, e canelados, sem revestimento) e vidro na fachada frontal. Nas áreas externas, adotou-se pavimentação de blocos intertravados.
Conheça mais a arquitetura deste tradicional escritório catarinense na versão impressa da Revista Área número 2.





