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Passageiro, transitório, mas nada superficial. Projetar estandes, showroom, vitrines e ambientes de mostras de decoração requer um programa de necessidades específico e um rígido controle sobre materiais, fornecedores e prazos. Para a criatividade, porém, não há limites
CRIAR CENÁRIOS, convidar ao sonho, à fantasia. É crescente a valorização da arquitetura efêmera entre quem deseja provocar sensações. A atividade, antes restrita às mostras de decoração, tornou-se indispensável em eventos como forma de traduzir conceitos, permitir a interatividade e simular realidades. Não se trata apenas de um elemento de diferenciação estética, mas também – e principalmente – de uma estratégia comercial.
“Coisa em si inexiste. Só existe o que se sente”. Esta frase, do poeta e músico Arnaldo Antunes, norteia o trabalho da arquiteta e designer Emanuella Wojcikiewicz, experiente em arquitetura efêmera e premiada, por duas vezes, por ambientações realizadas na Fenaostra, na Capital. Uma arquitetura temporária, acredita, cria um efeito simbiótico entre o usuário e quem a projeta. E o mercado já assimilou isso, na sua avaliação. “A busca pelo entretenimento é peculiar ao ser humano, que deseja novas experiências sensoriais. As grandes empresas estão percebendo a importância disto, de possibilitar aos consumidores, quaisquer que sejam, locais respeitáveis que possam ser bem utilizados para troca de informações e interatividade”, complementa.
O principal diferencial deste tipo de projeto está na liberdade criativa dos profissionais. “Enquanto a construção civil exige estabilidade e durabilidade de seus materiais, pois uma casa é construída para durar décadas, a montagem de um espaço efêmero nos permite experimentar materiais menos ‘definitivos’. Deve-se levar em conta que dentro de alguns dias, ou meses, ele será desmontado e seus materiais, provavelmente, reutilizados em outros projetos efêmeros”, considera a arquiteta Roberta Bertini Viegas, que cursou o Master Arquitectura, Arte y Espacio Efímero da Fundació Politècnica de Catalunya, em Barcelona. Outro diferencialestá, sem dúvida, no programa de necessidades. “Numa exposição de arte, a preocupação é apresentar a obra da melhor maneira possível, tomando cuidado com temperatura, iluminação e umidade para não danificar a peça. Já em uma festa, onde as pessoas se reúnem principalmente para beber, imagina-se que muitas estarão alcoolizadas, situação que define algumas medidas de precaução”, exemplifica Roberta, citando a instalação de chopeiras a uma distância segura do público, a criação de uma área livre no centro do pavilhão para se evitar tropeços no meio da multidão, a fixação da decoração de teto a uma altura que o público não a alcance e a garantia de que toda a cenografia ao próxima ao público esteja muito bem fixada. Estes foram os cuidados tomados por Roberta no ano passado, quando ela participou do projeto executivo e da montagem da Oktoberfest, em Blumenau.
Leia mais sobre arquitetura efêmera na versão impressa da Revista Área de setembro de 2007.




