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“As pessoas pegavam o papel e, ao saber que era reciclado, o largavam e limpavam a mão na roupa!†Zuleica Medeiros
COMO PINTORA ELA VIA a moldura dos quadros como um espaço que restringia a criação. Ela queria mais, mas não só “estar bem na fotoâ€, queria fazer alguma diferença. E fez. O Instituto da Terra, fundado pela artista plástica Zuleica Medeiros, é o resultado de mais de 20 anos de um trabalho de reciclagem de papéis, que preserva as florestas reaproveitando material, e devolve a cidadania, na reciclagem do papel social. A diversificação do uso do papel reciclado, desde a simples página de carta, agenda, bloco, envelope, à confecção de um móvel, todo revestido com lâminas de folhas recicladas, faz parte de um projeto de vida, realizado em Florianópolis, em um trabalho pioneiro dentro dos muros do PresÃdio Masculino da Capital.
Uma história que, sem dúvida, faz a diferença para as centenas de famÃlias de presidiários beneficiadas pelo projeto. “E que a cada dia me ajuda a explicar a que vimâ€, confessa Zuleica, mãe de quatro filhos e avó de cinco netos. “As pessoas pegavam o papel e, ao saber que era reciclado, o largavam e limpavam a mão na roupa!†Isso foi há vinte anos, quando Zuleica Medeiros, então professora de educação artÃstica na Universidade de BrasÃlia, apresentou à direção do curso um projeto de reciclagem de papel com meninos de rua. “Parecia que eu estava propondo um crime! O material foi ainda mais rejeitado e a idéia simplesmente refutada. Decidi partirâ€, conta. Hoje, a Zuleica empresária, moradora de Santa Catarina, diz que a indignação está superada, e o preconceito, aos poucos, é substituÃdo por uma consciência ambiental e social mais apurada: “Até o Al Gore, com o alarme do efeito estufa e sua ação global, está me ajudando!â€, brinca, referindo-se ao mais famoso ativista ambiental da atualidade, o ex-vice-presidente dos Estados Unidos.
Zuleica é fundadora e presidente da ONG Instituto da Terra, criada há oito anos, em Florianópolis, depois que ela deixou BrasÃlia e a rejeição ao seu projeto para vir “trabalhar perto da naturezaâ€. E apostou no marketing pessoal – sem dúvida um outro talento da artista plástica - para fincar em Santa Catarina uma bandeira de preservação ambiental. “Cheguei cheia de planos, sem qualquer apoio ou patrocÃnio. Arrisquei tudo porque acreditava que aqui, um lugar com tanto de Mata Atlântica ainda preservada, certamente encontraria pessoas que entenderiam a reciclagem social como um trabalho sério e não uma utopiaâ€, conta.
Leia mais sobre o papel social da reciclagem na edição impressa de setembro de 2007 da Revista Ãrea.





