Infinitas possibilidades

Fragmentos transformadores. O mosaico revelou-se, por milênios, mais do que arte concebida a partir de cacos. A técnica representa uma eficiente solução arquitetônica, como consagrou Gaudí em suas obras, rompendo com as formas planas das construções. Como elemento decorativo, ultrapassa as fronteiras do artesanato e passa a ser fabricado em escala industrial. Santa Catarina desponta na produção e na valorização deste produto.

NA COMPOSIÇÃO, pedras, vidros, louças e cerâmicas misturam-se. Na execução, técnica e criatividade são empregadas, num processo nada efêmero. Forma e função, tecnologia e arte, racionalidade e sensibilidade em simbiose. “Não se pode separar arquitetura de obra de arte; é apenas um gênero, uma forma de expressão pictórica”, enfatiza o multifacetado artista Rodrigo de Haro – a principal referência catarinense no assunto. Santa Catarina é destaque nacional na produção de mosaicos, uma tradição preservada e cada vez mais valorizada, com requintes de sofisticação.
A história registra os sumérios como pioneiros na técnica, há 5.000 anos. Estes povos revestiram pilastras com cones de argila colorida em motivos geo­métricos, inspirados na arte da tapeçaria. Trabalhos clássicos foram identificados entre os gregos, datando de 300 anos a.C, reunindo pequenos seixos brancos, pretos e vermelhos em reproduções de cenas de lutas e caça e de figuras mitológicas. De lá para cá, diversos materiais, estilos e motivos já formaram mosaicos mundo a fora. Na Idade Média, seu uso tornou-se recorrente no interior de igrejas cristãs e na arte bizantina. No século XIX, o arquiteto catalão Antoni Gaudí (1852-1926) notabilizou e revolucionou a técnica, principalmente em Barcelona (ES), onde estão suas principais obras. No Parque Güell, o artista misturou arquitetura, pintura, escultura, paisagismo, artesanato numa produção colorida e multiforme. A encomenda feita por Don Eusebio Güell, seu mecenas, em 1900, era para a construção de uma cidade-jardim para sua propriedade, de 15 hectares. O resultado: uma revolução arquitetônica, declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco, em 1984. Os mosaicos de Gaudí estão pelas ruas de Barcelona e em outras obras notáveis, como a Casa Batló, uma propriedade particular de sete pavimentos completamente transformada por ele. Na sinuosa fachada, característica de Gaudí, aplicou mosaicos brilhantes, cuja intensidade varia conforme a incidência de luz. Os cacos de azulejo foram seus aliados para permitir as formas curvas de suas criações.

Saiba muito mais sobre este assunto na versão impressa da Revista Área




Painel de Rodrigo de Haro, que ilustra a fachada da Reitoria da UFSC.

Mosaicos Glimmer Eliane Sicis, aplicados na parede, no piso e nas luminárias. Painel produzido por Jo Kawamura para edifício em Balneário Camboriú.

Rosone, da linha Kuarup da Mosarte, que mistura cerâmica e mármore