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É impressionante e possivelmente infindável a potencialidade do bambu. A planta dos mil usos, como é conhecido na China, maior produtor mundial, está presente na alimentação, decoração, veículos, instrumentos musicais, produtos de beleza e medicinais, papel, carvão, tecidos, arquitetura e construção civil. As cerca de 1,3 mil espécies existentes no mundo são intensamente pesquisadas e novas aplicações são descobertas. O Brasil despertou há pouco para o bambu, e Santa Catarina já está entre os destaques.
DE APARÊNCIA DELICADA, esta gramínea típica de regiões de florestas tropicais ou subtropicais largamente utilizada pelos povos nativos da Ásia, África e nas Américas, revela-se uma excelente matéria-prima por sua resistência, durabilidade e versatilidade. Por seu caráter sustentável, torna-se interessante às empresas e profissionais que desejam associar seu trabalho ao conceito ‘ecologicamento correto’.
Milenar, o bambu tem seus ícones na história. A estrutura original – milenar – da abóbada do Taj Mahal, por exemplo, era feita com este material. Albert Santos Dumont usou bambu na estrutura de uma série de seus aviões. No Equador, pesquisadores identificaram resquícios de bambu em sítios arqueológicos de cerca de 5 mil anos, utilizado pelos indígenas. Neste país e na Colômbia, pontes, cercas, barricadas, aquedutos e até prisões já foram erguidas com a espécie Guadua Angustifólia, considerada a gigante.
As características físicas e mecânicas do bambu indicam sua potencialidade para a construção civil. Pode servir como coluna, viga e lastro, na estruturação, ou como telha, forro e até para determinados encanamentos de água. Novos usos vêm sendo explorados na medida em que avançam as pesquisas para a substituição da madeira e identificação de materiais de baixo impacto ambiental. No Brasil, onde há em torno de 230 espécies nativas, agora é que os estudiosos – e o mercado – parecem despertar. “Nas Américas, a cultura dos povos indígenas foi subjugada e em grande parte substituída pela cultura européia. Usar bambu era, evidentemente, coisa de índio, portanto era considerado de pouco valor ou mesmo dispensável”, avalia o pesquisador e permacultor Hans-Jürgen Kleine, fundador da Associação Catarinense do Bambu, a BambuSC.
As espécies mais adequadas à construção civil, curiosamente, estão na América, de acordo com Kleine. “As mais usadas são do gênero Guadua, que se caracterizam por seu grande porte, com altura dos colmos de até 25 metros e diâmetros de até 20 cm, como o Guadua angustifolia, encontrado nos países da Região Amazônica”, explica. O principal diferencial está nos colmos uniformes, retilíneos e resistentes, além de ser menos atacada por fungos e insetos, quando tratada apropriadamente. “Esta espécie está sendo plantada em diversas regiões do Brasil, inclusive em Santa Catarina, mas a produção é muito inferior à demanda”, argumenta. No Estado, as espécies mais abundantes são do gênero Bambusa, de origem asiática, trazidas pelos portugueses há mais de 300 anos, que “normalmente, não são empregadas na construção civil, devido às suas formas irregulares e baixa resistência contra fungos e insetos”, complementa Kleine.
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