Arquitetos catarinenses emprestam sua experiência e talento ao projeto Casa da Criança e, em parceria com outros profissionais e empresas da construção civil, revitalizam instituição assistencial de Palhoça e transformam vidas
UMA MOSTRA de decoração. Esta é a primeira impressão de quem visita a Sociedade João Paulo II, em Palhoça. Desde a fachada tem-se a certeza: um arquiteto passou por aqui. Contemplada pelo projeto Casa da Criança, uma franquia social que reúne profissionais e empresas para a reforma de instituições assistenciais, a entidade teve suas dependências revitalizadas e, mais do que isso, ganhou nova vida e ainda mais forças para continuar o trabalho exemplar que desenvolve na comunidade.
Com muito orgulho e disposição, Alete Alves – a irmã Neves – vai mostrando todos os ambientes e descrevendo o que foi feito ali. A fundadora e atual presidente da Sociedade João Paulo II lembra do estado precário das instalações e se admira com o preciosismo dos arquitetos em todos os detalhes. “Repara nestes quadrinhos. E olha só as escovinhas de dentes. E os brinquedos do pátio? São o boi-de-mamão e a maricota”, vai citando a irmã, ainda encantada com o resultado da reforma, inaugurada no dia 19 de setembro. Porém, o que fica evidente, é que a dedicação dos profissionais envolvidos e o apoio das empresas parceiras elevaram a auto-estima das 190 crianças e adolescentes atendidos pela instituição, todas em situação de risco social. “Tem menino que vem para cá com a chave da casa, tamanha a sua responsabilidade”, conta ela, que, em 34 anos como orientadora educacional, nunca passou por tal experiência.
A Sociedade João Paulo II ocupa uma residência com área total de 1,5 mil metros quadrados, doada pela família Teski, de Blumenau, que a havia comprado do artista plástico Tirelli. Foi fundada em 26 de junho de 1980, na mesma época da visita do Papa ao Brasil – daí veio o nome da entidade, a pedido do próprio doador. “Naquela época, a região era uma favela de palafitas, com problemas de saneamento básico. Decidimos que nossa prioridade seria arrumar um ambiente adequado às crianças”, explica irmã Neves. Hoje a instituição faz muito mais do que apenas dar educação e alimentação aos menores, oferece aulas de música, cursos profissionalizantes, atendimento de saúde e psicológico, somando 18 funcionários contratados e outra dezena de voluntários. “Conseguimos, com a benção de Deus, que sempre nos deu persistência e fé, para não desanimar”, agradece a religiosa.
Conheça mais sobre o trabalho dos profissionais do Projeto Casa da Criança na versão impressa da Revista Área.







